Blog do Bruno Voloch

07/08/2010

É cedo, mas Jaqueline e Mari vão se firmando como titulares

Todos os treinadores de uma maneira geral, devem usar o Grand Prix de teste para o mundial do Japão.

Na seleção feminina com Zé Roberto a história não é diferente. Ele já deixou claro em diversas oportunidades, que a prioridade é o mundial. A idéia é 'arrumar' o time no Grand Prix e definir o grupo do mundial. Óbvio que se der para conquistar a competição, melhor ainda.

Depois do treino de luxo contra a fraca seleção de Taiwan, a seleção brasileira finalmente estreou contra o Japão. Conseguimos uma nova vitoria por 3 a 0 e mantivemos a liderança do campeonato.

Contra o Japão, a seleção foi equilibrada em praticamente todos os setores e na verdade fomos pouco exigios. Por ter vencido a Itália, muitos apostavam que a seleção tivesse mais dificuldade diante do Japão. Negativo.

O que ainda nos dá prazer nessa seleção japonesa é ver a levantadora Takeshita em ação. Que 'mão' tem essa atleta. Joga fácil, tem muita habilidade, dá velocidade ao time e sabe explorar muito bem o que cada companheira tem de melhor.

O time do Japão é baixo para os padrões mundiais, mas se supera com muita aplicação tática e velocidade.

Zé Roberto dá sinais claros de que Jaqueline e Mari são hoje as ponteiras titulares. As duas foram escaladas de início e renderam o esperado. A 'pressão' pela presença de Paula Pequeno no banco é grande e as duas jogam no limite.

Jaqueline me impressionou pela agressividade no ataque e teve ótimo aproveitamento quando foi chamada. Mari errou dois ataques no segundo set, mas teve cabeça e voltou rapidamente para a partida. Gostei de ver Mari passando, com eficiência e sem fugir da recepção. O saque do Japão era nitidamente voltado para Mari.

No meio, Thaisa e Fabiana ainda não foram exigidas de verdade e discordo daqueles que acham que o Japão exigiu algo delas. Contra a Itália certamente nossas centrais terão um pouco de trabalho.

Sheilla é longe ainda nossa jogadora mais regular e foi assim novamente contra o Japão.

Quanto a levantadora Dani Lins, prefiro esperar o jogo contra a Itália. Não seria justo falar dela depois do que vimos de Taiwan e Japão.    

Por Bruno Voloch às 14h38

06/08/2010

Thaísa e Jaqueline 'salvaram' Brasil contra Taiwan

Avaliar o que ?

Nada. Sinceramente, como todo respeito que a seleção de Taiwan possa merecer, a diferença técnica entre as duas seleções não me permite fazer qualquer análise tática ou falar tecnicamente de nenhuma jogadora.

Nesse caso, me agarro então a uma declaração de Thaísa após a partida. Ela disse que não estava acertando o tempo de bloqueio das atacantes de Taiwan e Zé Roberto pediu que ela saltasse menos. É isso mesmo, que Thaisa não saltasse tanto.

Chega a ser engraçado, mas foi verdade. Pelo menos foi o que disse Thaísa após a partida.

Essa orientação de Zé Roberto reflete bem o que foi a partida e principalmente a diferença entre as duas seleções. Jamais poderíamos imaginar que no vôlei moderno, o treinador fosse pedir para sua atleta mais alta não saltar tanto no bloqueio. Mas foi o que aconteceu e curiosamente Thaísa 'achou' as atacantes de Taiwan.

Não vou deixar passar em branco a postura de Jaqueline. Em uma partida tão fácil, manter o nível de concentração no saque como ela fez no terceiro set é complicado. Jaqueline merece ser citada.

E o público ?

Bem, era querer demais que o torcedor acordasse cedo e encaresse o frio de 10 graus para ver Brasil e Taiwan. Não. Decididamente não. A resposta veio através das arquibancadas.

       

Por Bruno Voloch às 13h52

Holanda abre Grand Prix derrotando a Tailândia

A seleção da Holanda, campeã do grand prix em 2007, abriu a competição nesta sexta-feira e conseguiu sua primeira vitória.

Comandada pela capitã Manon Flier, a Holanda fez 3 a 0 contra a Tailândia com parciais de 25/22, 25/22 e 25/23. O jogo durou uma hora e quinze minutos e Flier foi a maior pontuadora da partida com 21 pontos. Huurman marcou 11.

Apesar das parciais apertadas, a Holanda esteve sempre a frente do placar e dominou os 3 sets.

Completam o grupo, China e Porto Rico.

    

Por Bruno Voloch às 09h01

05/08/2010

Bernardinho e Ricardinho. Uma novela sem fim.

Que novela chata e desgastante essa envolvendo Ricardinho, Bernardinho e seleção brasileira.

História arrastada, desnecessária e que prejudica somente a imagem do próprio Ricardinho. Uma pena que ele ainda não tenha chegado a essa conclusão. Aliás, tenho minhas dúvidas se ele realmente se preocupa na verdade com sua imagem. Acho que não.

É evidente que Ricardinho não tem ambiente para seguir tabalhando com esse grupo atual de jogadores, ainda mais depois dos fatos apurados e divulgados pelo blog essa semana.

Correto ou não em suas decisões, Bernardinho foi inteligente e fez questão de deixar claro para a mídia em geral que se dependesse dele somente, Ricardinho poderia voltar a vestir a camisa da seleção. Disse que fazia questão de voltar a ter uma 'relação humana' com o jogador e que só o futuro poderia responder se Ricardinho teria ainda espaço na seleção. Não dependia mais dele e sim dos jogadores.

O papel do 'bom moço' foi feito, com grandes artistas envolvidos, dignos de novela das 8 mesmo. E nós aqui do outro lado sendo obrigados a noticiar e muitos coleguinhas a acreditar na boa vontade de alguns deles.

Curiosamente, Bernardinho em nenhum momento disse os motivos pelos quais Ricardinho não foi chamado. Não disse e nem deve dizer. Acho errado somente ficar alimentando o 'cara' e dando uma falsa esperança de que os 'bons tempos' poderiam voltar. Bobagem.

Se Ricardinho foi usado, não sei, mas suas declarações não combinam com seu passado e sua personalidade, me desculpe. Dizer que entende perfeitamente a decisão do treinador e que não existe mágoa, é demais. Imagine se existisse.

Mas dessa vez curiosamente a decisão não foi só do 'patrão'. Os jogadores tiveram participação decisiva nesse episódio, especialmente Giba, Rodrigão e o líbero Serginho.

Agora, Ricardinho diz que seu ciclo na seleção acabou. Será mesmo ?

Fico me perguntando se Ricardinho precisaria passar por toda essa humilhação. Penso que não.

Esse jogo de verdades e mentiras, vaidade e política, Ricardinho perdeu. Suas declarações recentes e seu comportamento no passado foram determinantes para esse final. Ele mesmo disse: "Voltar e ser reserva na seleção, prefiro ver o mundial do sofá em casa". Dito e feito.

Declaração infeliz e que vai de encontro com a situação hoje vivida pelo seu principal desafeto. Giba. Hoje Giba é banco, mas é considerado fundamental pela comissão técnica mesmo estando do lado de fora.  

Quais serão as cenas dos próximos capítulos ?

Lógico que teremos os próximos capítulos. Não duvide disso. Bernardinho disse que essa seria apenas uma primeira lista, ou seja, ela pode ser alterada dependendo dos treinamentos e do desempenho de cada atleta.

O treinador faz sempre questão de dizer que as portas da seleção não estão fechadas para nenhum jogador. Ricardinho então deve ter esperança de ser chamado, afinal ela é a 'última que morre'.

Que ilusão ...

Mas a novela está longe do fim, podem apostar. Os artistas estarão em palcos distintos, mas ambos adoram os holofotes.

Daqui a dois anos teremos os jogos olimpícos de Londres em 2012, lembram ?

Ricardinho está jogando no Brasil, próximo dos 'amigos' e a pressão será grande caso o Vôlei Futuro faça boa campanha e Ricardinho brilhe como levantador. Pode acontecer, porque não ?

Talento Ricardinho tem de sobra. Com as mãos.

O tema voltará a pauta. Ricardinho na seleção para a olimpíada de 2012 !!!

'Acabou', disse ele em recente entrevista. Não acredito. Quem o conhece, sabe que não é bem assim. Ricardinho não costuma entregar tão fácil as partidas. Não combina com ele. Faz um 'barulho' na mídia e ele volta para os holofotes. Foi assim novamente.

Do outro lado o 'patrão' vai dizer e com razão, que nunca prometeu nada e disse apenas que se tratava de uma aproximação. Verdade, até provem o contário.

Chego a conclusão que parece ser 'saudável' para os dois esse assunto. De verdade. Não acredito sinceramente em promessas e em algumas decarações recentes das duas partes.

Seria muita mais saudável e justo tentar dar um ponto final nessa história. Ninguém deve se iludir e achar que a novela acabou. Ela ainda está longe do fim, podem acreditar.

Não me surpreendo com mais nada em se tratando de Ricardinho e Bernardinho. Eles que se entendam. Ou não.

 

Por Bruno Voloch às 09h04

Rússia define grupo para o mundial sem Poltavskiy e Kasakov

A Rússia, vice-campeã da Liga Mundial, divulgou a lista dos 16 jogadores relacionados para a disputa do campeonato mundial em setembto na Itália.

O treinador Daniele Bagnoli deixou de fora os experientes Alexey Kasakov e Semen Poltaviskiy. Kasakov era capitão da seleção e exerceu essa função na campanha do vice-campeonato da liga mundial.

O líbero Verbov foi chamado novamente por Bagnoli e deve ser titular na vaga de Komarov.

A lista da Rússia conta ainda com os levantadores Grankin e Makarov, os centrais Astashenkov, Volkov, Muserskiy e Shcherbinin, os ponteiros Abramov, Berezhko, Biryukov, Krasilov, Sivozhelez e Taras Khtey e os opostos Mikhaylov e Cheremisin.

A Rússia faz parte do grupo C e enfrentará na primeira fase Camarões, Austrália e Porto Rico.    

Por Bruno Voloch às 08h17

03/08/2010

Itália perde líbero Paola Cardullo

Problemas à vista para o treinador da seleção italiana feminina.

A ótima líbero Paola Cardullo vai ficar de fora dos primeiros jogos do Grand Prix. A jogadora, segundo fontes ligadas a federação italiana, está com uma inflamação nos olhos. 

Enrica Merlo do Bergamo vai substituir Paola Cardullo nessa fase inicial da competição.

Cardullo será o terceiro desfalque do técnico Massimo Barbolini. A levantadora Lo Bianco e a atacante Simona Gioli também não foram relacionadas para os jogos no Brasil.

A Itália estreia no Grand Prix na próxima sexta-feira contra o Japão.   

Por Bruno Voloch às 20h41

Contratada pelo Dínamo da Rússia, Fofinha afirma: 'Sou mais valorizada no exterior do que no Brasil'

Ana Paula Lopes Ferreira, conhecida como Fofinha, está de malas prontas para mais um desafio na carreira. Após 3 anos de Japão e alguns títulos na bagagem, Fofinha recusou propostas da Itália, de times brasileiros e resolveu aceitar o desafio de jogar no vôlei da Rússia. Aos 30 anos de idade, Fofinha assinou contrato de um ano com o Dínamo Krasnodar. Antes de viajar, Fofinha conversou com o blog. A jogadora falou dos momentos mais marcantes de sua carreira, erros, acertos, explicou como foi sua passagem pela seleção adulta, deu conselhos as jogadoras mais novas que sonham em jogar na europa e disse que é mais valorizada no exterior.

Porque você fez a opção de jogar na Rússia ?

Simples. Meu contrato com o time da Nec acabou em maio. Foram duas temporadas consecutivas e antes disso tinha jogado em 2007 na Hisamitsu. Recebi o convite, analisei bem e aceitei esse desafio diferente. Fiz um ano de contrato.

Você teve mais propostas da europa ?

Sim. Recebi convite para ir jogar na Itália na equipe do Busto Arsizio onde atuava a Fernandinha.

E das equipes brasileiras ?

Alguns times do Brasil como Pinheiros, Araçatuba e Minas queriam conversar, porém a diferença dos valores era muito grande e não dava nem para começar a negociação. Felizmente consegui fazer boas temporadas no exterior e isso me valorizou bastante lá fora. Eu hoje sou mais valorizada no exterior do que aqui.

O aspceto financeiro foi determinante ?

 

Primeiro claro é o dinheiro. Já tenho 30 anos e pretendo jogar mais 4 ou 5 temporadas. Joguei no Japão todos esses anos e a gente fica muito isolada do mundo do vôlei. Tinha vontade de disputar um campeonato forte como será na Rússia. Eu fui para o Japão em 2007 quando ia fazer 27 anos e tive um salto de qualidade muito grande na minha carreira, mas acredito que se tivesse ficado aqui poderia ter me destacado mais.

Como os japoneses se interessaram na Fofinha ?

Eu estava na Cimed Macaé e tive a proposta do Japão após a disputa da Salonpas. Fui eleita a mvp da competição em 2006.

Qual temporada você considera aquela inesquecível ?

Uma temporada que me marcou muito foi quando em 99/2000 quando joguei pela primeira vez como titular em uma equipe de ponta. Era nova e me lembro que cada vez que entrava na quadra me dava um frio na barriga. A oprtunidade apareceu quando a Ana Mozer teve que parar de jogar e eles me colocaram de ponteira no extinto Bcn. O Sérgio Negrão veio falar comigo antes de tudo e eu fiquei muito empolgada.

Quem foi o treinador mais importante da sua carreira ?

Como treinador fica dificil porque pessoas importantes ajudaram na minha formação de atleta. Mas tem um técnico que esteve comigo nos momentos de transição e que sempre pensou no meu melhor. Essa cara foi o Sérgio Negrão. Como disse, foi ele me colocou de titular em um time que tinha grande e eu era apenas uma juvenil. Ele também me incentivou quando fui para o exterior. É uma pessoa que sempre peço conselhos em relação a vida pessoal e ao vôlei.

Porque você não fez sucesso na seleção adulta ?

Na verdade eu não estourei quando deveria. Nas categorias de base fui muito bem até os 20 anos e sofri muito com uma lesão na tibia que acabei operando em 2003. Acho que esse lesão me desestabilizou e eu nao rendi o que deveria durante esses anos. Com isso, acabei perdendo um pouco da minha confiança.

Mas essa lesão atrapalhou tanto sua carreira ?

Sim, demais. Eu jogava no Bcn, parei por varias vezes, sentia dor e não tinha a mesma cabeça de hoje. Não sabia como cuidar da lesão. Errei por falta de maturidade.

Mas você fez sucesso nas divisões de base ...

Sim. Fomos a primeira seleção campeã mundial infanto e vice juvenil.

Quando você esteve na seleção adulta ?

Eu fui chamada naquela fase do Marco Aurélio. O que aconteceu foi que naquele momento eu deveria ter me destacado e não aconteceu. Surgiram as meninas mais novas que nasceram em 1982,1983, elas foram bem nas categorias de base e entraram na seleção. Eu não preciso nem falar, são as meninas que estao ai hoje e o talento delas é inquestionável. Vai para a seleção quem joga bem.

 

Por falar em Marco Aurélio, dizem que 'derrubaram' ele. É verdade ?

Olha, eu fui cortada e não estava quando aconteceu tudo aquilo. São fatos tristes do vôlei, mas acho que todos erraram. Jogadoras e treinador.

A Dani Lins é a susbtituta ideal da Fofão ?

A Dani vem sendo preparada e acredito que vai crescer bastante ainda. Se pensarmos que ela é a levantadora do Rio, foi várias vezes campeã e tem passagens pelas categorias de base, precisa estar na seleção. Substituta da Fofão é pesado. Melhor dizer que a Dani é próxima levantadora da seleção.

E o apelido Fofinha. Como surgiu ?

Quando eu era mais nova e peguei seleção brasileira pela primeira vez, tinha mais de uma Ana Paula. As meninas me achavam parecida com a Fofão e começaram a me chamar de Fofinha. Isso pegou desde 1994.

Muitas jovens sonham em jogar no exterior. Você teria algum conselho ?

Nós brasileiras, tirando os que são extremamente habilidosos, só conseguimos jogar da maneira que jogamos devido a nossa carga de treino físico e com bola. Lá fora, ninguém treina no nosso ritmo e a qualidade de treino não é a mesma. Por isso é muito importante saber manter aquilo que fazemos aqui, pedir treinos extras com bola e não abrir mão da academia.

 

Por Bruno Voloch às 14h42

02/08/2010

Fabiana Berto abandona o vôlei e diz: 'Inveja existe e as pessoas não assumem seus próprios erros'

A próxima edição da superliga não contará mais com a presença da jogadora Fabiana Berto. Aos 34 anos, a levantadora surpreendeu a todos e decidiu abandonar a carreira. Fabiana disse ao blog que a decisão estava amadurecida e que era apenas questão de tempo. Tão surpreendente quando a decisão dela, foi a entrevista concedida ao blog. Fabiana mostra personalidade, conta os bastidores do vôlei, fala de inveja, 'panela', preconceito e falta de dignidade. A ex-jogadora elogiou Dani Lins e disse que Fernanda superou Fofao.

Porque você resolveu abandonar a carreira ?

Tem uns 3 anos que já estou me preparando para isso. Esse ano decidi e não quis ouvir nenhuma proposta. Chega uma hora que você tem que saber que essa vida de atleta vai terminar e para mim meu ciclo acabou.

 Você recebeu propostas ?

Tive sim. Do Brasil e também da europa. Eu tenho passaporte italiano e isso facilita bastante. Araçatuba e Uberlândia me chamaram, tive outras sondagens, mas nem me aprofundei.

E sua melhor fase na carreira ?

Apesar de não ter tido grandes resultados, foi quando eu estive na seleção brasileira em 2001/2002. Mas sinceramente nos últimos anos me senti muito bem, foi quando atuei no Osasco, na Brasil Telecom e no Pinheiros. Você vai ficando mais velha e o prazer de jogar é muito maior porque tem menos ansiedade e mais segurança.

Você acha mesmo que teve chance na seleção adulta ?

Na época falavam que eu seria a sucessora da Fernanda. Eu era nova, tinha acabado se sair da seleção juvenil, capitã, campeã. Você é muito nova, eu nem ligava para isso, queria apenas jogar. Eu sempre me dediquei muito, treinei demais, então eu tenho a cabeça que eu fiz o meu melhor. Se não deu para ir além é porque ainda assim faltou alguma coisa. Mas eu tenho muito orgulho da minha história.

E as frustrações ?

Eu tive algumas decepções em alguns momentos, óbvio, mas hoje eu me sinto tranquila porque sempre procurei esclarecer todos esses pequenos problemas. Hoje eu sinceramente não tenho nada de ruim guardado comigo.

Problemas com treinador ou jogadora ?

Técnico, jogadoras, mas tudo coisa do dia dia. Faz parte da vida profissional e não vale a pena guardar mágoa. Hoje está tudo bem eu sempre tentei resolver tudo na hora.

Existe inveja no vôlei ?

Eu sempre tentei me aproximar das meninas e sempre gostei de conversar bastante e acredito que assim elas acabavam gostando de mim e não tendo inveja. Diziam que eu era fresca e depois ficavam surpresas comigo. Mas inveja sempre tem e é normal. Eu percebia algumas vezes mas isso não me atrapalhava. Fui ficando mais velha e consegui entender e reverter um pouco essa situação de inveja.

Alguém já tentou derrubar a Fabiana Berto ?

Não que eu saiba, mas já deve ter rolado sim. Alguém já deve ter dito que a culpa de alguma derrota ou a perda de um campeonato foi minha. Eu nem tenho nomes mesmo, mas com certeza rolou. A culpa é sempre da levantadora. O que mais me incomoda na vida são as pessoas que não assumem seus próprios erros e jogam para os outros a responsabilidade. Eu sempre assumi os meus erros e isso me incomoda muito. Assumam seus erros, todos erram.

Você se refere a alguém em especial ?

Não. Isso é ter dignidade. O mundo é meio assim. As pessoas se defendem atacando os outros e no vôlei não é diferente. Eu só confio no meu pai, minha mãe, marido e amigos de verdade, aqueles que nós escolhemos. Os outros não. No vôlei tem muita vaidade, status, é complicado mesmo.

Existe 'panela' no vôlei ?

Eu quero acreditar que não, mas tem, sempre tem. Eu posso ter participado de uma panela e nem ter percebido.

Quem foi seu melhor treinador ?

Eu adorei o Chico dos Santos, Maurício Thomas e o Ari. Ele foi meu primeiro técnico, devo muito a ele.

Mas você passou por muitos times grandes. Ninguém mais para citar ?

Não. Joguei uma temporada no Rexona em Curitiba e não rolou com o Hélio Griner. Fui feliz , fizemos grandes partidas e tive bons momentos. Eu diria que meu pior ano foi em Campos em 2003. Na verdade foi uma temporada muito ruim, principalmente pessoalmente porque eu estava me separando e isso foi exatamente na época da Superliga. O técnico era o Luizomar. Mas com ele não tive problema exatamente, tanto que quando ele foi pro Finasa, eu já estava lá na temporada passada e ele queria que eu renovasse e renovei.

Hoje a seleção está bem servida na posição ?

O problema é que o Brasil teve duas grandes levantadoras e as comparações pesam muito. Sempre vai existir a comparação com Fernanda e Fofão. A Dani Lins é uma boa aposta e precisamos ter paciência. Levantadora quanto mais velha é melhor.

Fernanda Venturini ou Fofão ?

Fernanda. Ela jogava fácil.

Como ex-jogadora, você tem alguma preocupação com o futuro dessas jovens ?

Hoje rola muita grana e isso realmente é complicado. As jogadoras começam a ganhar uma grana que nunca viram na vida, perdem a noção das coisas e de valores.

E a Fabiana vai fazer o que da vida ?

Eu não sei ficar parada, achei que aposentando eu ficaria com vida de madame como eu brincava. Mas adoro aprender e conhecer gente nova. Estou trabalhando no mercado imobiliário. Eu fiz curso de matematica financeira e tudo. Espero ser feliz.

Por Bruno Voloch às 09h03

Sobre o autor

Carioca, tem mais de 20 anos de profissão. Iniciou a carreira na extinta TV Manchete em 1988. Foram 6 anos até ser contrato pela Band Rio em 1994. No ano seguinte estava no Sportv/Globo onde foi idealizador e apresentador do programa Supervolley. Atuou como repórter de 1995 até 2003, e participou da cobertura dos campeonatos brasileiros de 1995 a 2003 em jogos ao vivo. Em 2004 se transferiu para o Bandsports, onde criou e comandou os programas "Roda de vôlei "e Linha de 3". Foi apresentador e comentarista de vôlei e basquete do canal. Em 2008 acumulou a função de diretor de jornalismo até setembro de 2009. De 2007 até 2009 foi colunista da rádio Bandnews FM do Rio e trabalhou nos jornais Lance e Jornal dos Sports. Participou da cobertura de 3 Copas do Mundo, 3 Olimpíadas e das últimas 3 últimas edições do Pan. Hoje é colunista do Jornal do Brasil e comenta futebol para a Bandnews FM/Rio de Janeiro e rádio Terê FM/Rio de Janeiro. É especialista em vôlei.

Sobre o blog

Opinião e informação sobre o que de mais relevante ocorre no vôlei no Brasil e no mundo.

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