Blog do Bruno Voloch

10/09/2010

Bernardinho opta por 2 líberos e deixa Thiago Alves fora do mundial

Bernardinho disse em entrevista após as partidas contra a Polônia, que decidiria o grupo que levaria para o mundial da Itália até o dia 13, segunda-feira.

Mas o treinador mudou radicalmente de idéia, decidiu antecipar os fatos e cortou o central Éder e o ponta Thaigo Alves.

Como o blog comentou há dois dias, as dúvidas não eram tão grandes assim. A única na verdade, era saber se convocaria 1 ou 2 líberos para a competição.

Segundo o regulamento do mundial, o treinador pode levar 14 jogadores desde que 2 sejam necessariamente líberos. A outra opção é relacionar 13 atletas e nesse caso seriam 12 jogadores 'de linha' e 1 líbero somente.

Bernardinho acabou com o mistério e optou pela primeira alternativa. Mário Jr e Alan foram chamados e serão os líberos inscritos no mundial. O central Éder era 'pule de 10' e nome certo para ser cortado. Rodrigão, Lucão e Sidão jamais estiveram ameaçados.

A surpresa talvez tenha ficado por conta do ponta Thiago Alves. O jogador participou da campanha do título da Liga Mundial e sempre teve prestígio com o treinador. Curiosamente, Thiago que é um ótimo atacante e exímio passador, terminou cortado.

Bernardinho preferiu investir no 'curinga' João Paulo Bravo e apostar no líbero Alan para ser reserva de Mário Jr. 

João Paulo Bravo aproveitou bem as oportunidades que teve e deve ter se destacado nos treinamentos.

Alan sempre foi um jogador talentoso e talvez se não tivesse se contundido, fosse o substituto natural de Serginho.

Nas demais posições, nenhuma novidade e os nomes já esperados.

Os levantadores serão Marlon e Bruno. Murilo, Giba, Dante e João Paulo Bravo os atacantes. Os centrais chamados foram Rodrigão, Lucão e Sidão e como opostos Leandro Vissoto, Théo e João Paulo Tavares.  

    

Por Bruno Voloch às 07h01

09/09/2010

Mari: 'Sabia que eu estava fora do mundial. A única esperança era de um milagre divino'

Mari é hoje uma das jogadoras mais carismáticas da seleção brasileira. O Brasil inteiro se comoveu com a contusão da atleta durante a fase final do Grand Prix. Mari operou o joelho no último sábado no Rio de Janeiro e só volta a jogar em 2011. Já em Saquarema, Mari atendeu ao blog e com exclusividade contou como está se sentindo após a cirurgia, falou do futuro e de como ficará a seleção sem sua presença. Esbanjando bom humor e otimismo, Mari afirmou ter ficado emocionada com o apoio dos fãs e confessou que já sabia da gravidade da contusão.     

Como você está se sentindo após a operação ?

Estou muito calma e confiante acima de tudo. Sei que estou em boas mãos, aliás sempre foi assim. Antes de machucar, durante a operação e agora na recuperação.

Você tinha esperança que a contusão não fosse tão grave ?

Na verdade eu converso muito com médicos e fisioterapeutas e até colegas que já se machucaram, todos os tipos de lesão eu tenho curiosidade e interesse por saber tudo. É uma área que eu me dou bem, então eu já sabia o que acontecia quando se torce o joelho, mecanismo de entorse, o barulho que faz, tudo isso eu já sabia, então assim que eu fui ao chão, eu já tinha ouvido o barulho de osso batendo com osso e tinha sentido aquela dor muito forte. Naquela hora só passava pela minha cabeça a possibilidade de não ir ao Mundial. E essa dor era bem pior que a do joelho. A única esperança que eu tinha mesmo no fundo, era de um milagre divino, pois da minha parte eu sabia que seria difícil jogar o mundial.

E a Mari recebeu muitas mensagens de apoio ? 

Eu recebi muitas mensagens de apoio, milhares na verdade. Minha caixa postal tinha recado de gente que eu nunca falei, meu site várias mensagens,  poesias e textos inspiradores. E agradeço muito por todos. Recebi no hospital uma visita de uma fã que nem sabia quem era, mas foi impressionante o carinho.

O próximo mundial será em 2014. Você estará em quadra ?

Fisicamente eu tenho certeza que sim, até porque daqui a quatro anos eu ainda vou ter 31 anos, praticamente uma garota. Só não sei se eu quero seguir outro ciclo olímpico depois de Londres. Até Londres eu sei o que quero, depois eu vou ver o que fazer da minha vida. Se fico só em clubes, se vou para a praia, se fico na seleção também, isso tudo ainda não sei. Vai depender de muita coisa, mas não vou negar que o fato da Olimpíada ser no Brasil pode pesar na decisão.

Você acredita em sorte e azar ?

Eu acho que tudo acontece com quem tem que acontecer. Deus não deixa cair um fio de nossa cabeça sem que ele saiba, quer dizer que ele sabia e permitiu. Tudo que passamos na vida é para aprender alguma coisa, com certeza essa lesão vai me ajudar em algo.  Nem que seja só para aprender a dar valor nas coisas simples da vida, como ficar em casa com a perna pra cima e ter tempo pra brincar com meu cachorro, talvez fosse a hora de parar um pouco e cuidar de mim também. Com certeza muita coisa boa eu vou tirar disso, até porque tenho seis meses pra pensar na vida. Não de ficar me lamentando.

Quanto tempo você acha que ficará afastada das quadras ?

O tempo que o médico mandar, normalmente são 6 meses. Agora não adianta apressar, o mais importante é minha saúde.

 

Como reagir nessa hora complicada na vida de um atleta ? 

Simples, não posso desistir nem se eu quisesse. Eu amo o que faço e tenho uma família que depende de mim. Procuro aproveitar a vida como posso.  Se estou 100% vou jogar volei, nadar no mar e correr com meu cachorro. Se não estou tão bem, vou ver filme, ler, ouvir música, dormir e comer. O bom é não ficar se lamentando e fazer o que esta ao alcance, isso faz passar rápido. A ansiedade só piora as coisas.

Como fica a seleção sem a Mari ?

Fica sem uma peça importante. Mas isso é um problema que o Zé vai saber resolver e dar a volta. Quem estiver no meu lugar vai poder ajudar também. Se o time joga de um jeito comigo, agora vai ter que se adaptar para jogar com quem precisar.

Qual foi sua reação ao saber da gravidade da contusão ?

Na verdade fiquei com a minha mesma cara de sempre, não me assustei nem chorei, fui apenas racional. Procurei me manter tranqüila, o pior é quando tudo é novidade, quando nunca passamos por isso, eu já passei por uma lesão pior no ombro e depois voltei a jogar normal e ainda conquistei um título olímpico. Joelho a recuperação é mais fácil e rápida que ombro, por isso não me preocupo com a gravidade da lesão por saber tudo que vai acontecer. Tenho os melhores médicos e fisioterapeutas à disposição.

 

Por Bruno Voloch às 23h09

07/09/2010

Na Polônia, briga com treinador deixa Skowronska fora do mundial. Glinka está de volta.

O mundial do Japão não vai contar com charme e o talento da polonesa Katarzyna Skowronska.

Capitã da seleção no Grand Prix desse ano, Skowronska ficou fora da lista das 15 jogadoras convocadas pelo treinador Jerzy Matlak para a competição. 

Segundo Matlak, Skowronska não foi relacionada porque está mal fisicamente e abaixo das demais companheiras.

A atleta por sua vez fez questão de desmentir Matlak e alegou problemas de relacionamento com o próprio treinador. Skowronska disse ainda que partiu dela a decisão de não aceitar a convocação para jogar o mundial. 

Sem Skowronska, Matlak convocou a veterana Glinka.  

Por Bruno Voloch às 11h27

06/09/2010

Bernardinho e o 'drama' do corte

A seleção masculina se despediu do torcedor brasileiro em alto estilo. Foram 3 vitórias nos 3 amistosos, mas confesso que esperava um pouco mais da Polônia, que segundo Bernardinho, é uma das favoritas ao título mundial.

Se for a mesma Polônia que jogou as partidas em Curitiba, Bernardinho pode ficar tranquilo. Entrosados e um pouco mais descansados, os poloneses deram mais trabalho somente no jogo de domingo. A seleção de fato foi exigida e venceu de forma convincente por 3 a 2.

Bernardinho diz que tem dúvidas em relação ao grupo que vai ao mundial. O treinador terá que fazer dois cortes e concordo que esse seja o momento mais complicado para o jogador. 

Será que é mesmo doloroso para o treinador ?

Dizem que sim, mas tenho lá minhas dúvidas. Cada profissional reage de uma maneira, mas com toda certeza a dor maior é a de quem fica fora do grupo. Cada caso é um caso.

Acho que de uma maneira geral os treinadores valorizam essa hora do corte e dramatizam a situação. Evidente que existem as exceções, caso por exemplo de José Roberto Guimarães.

O passado das seleções masculina e feminina nos mostram que Bernardinho e Zé Roberto enxergam o corte de maneira diferente. Mas é o jeito de cada um deles e depende muito do grupo formado e do convívio com os jogadores.

Já vi jogador sendo cortado em aeroporto e até por e mail.

Por essas e outras que a tese do 'grupo fechado' deve ser discutida. Se você não quer passar pela situação delicada de cortar, porque então convocar 15 ou 16 jogadores ?

Entendo que existam dúvidas técnicas, o desejo de observar os jogadores e evitar a acomodação. Mas se a 'dor' é tão grande assim, porque não fazer igual ao futebol ?

Convocar o número exato de jogadores que podem ser inscritos na competição e se acontecer algum tipo de contusão mudar a lista ?

Isso evitaria o desgaste do corte. Mas o vôlei é um esporte diferente, defenderão alguns.   

No caso de Bernardinho não são tantas dúvidas assim. Bruno e Marlon serão os levantadores. Rodrigão, Lucão e Sidão os centrais. Giba, Murilo e Dante os ponteiros e Leandro Vissoto e Théo os opostos.

10 jogadores certos. Mário Jr, se estiver inteiro, será o décimo primeiro.

Não acredito sinceramente que Alan seja relacionado.

Acontece que João Paulo Tavares também tem potencial de estar na relação final, ou seja, pelo que fez na Liga Mundial e nos amistosos, João Paulo Tavares merece brigar até o fim. Não podemos esquecer de Thiago Alves.

Thiago Alves sai na frente, pela experiência, entrosamento, ótimo aproveitamento no saque e bom fundo de quadra. Dificilmente deixará de ir ao mundial.   

A seleção, pelas declarações do seu comandante, terá uma semana decisiva de treinamentos em Saquarema.

Mas sem essa do 'drama' do corte, definitivamente não combina.  

  

 

      

Por Bruno Voloch às 11h29

05/09/2010

Zé Roberto repudia 'apadrinhamento' e pede paciência e carinho com as levantadoras

A seleção feminina se apresenta em Saquarema para a última fase de treinamentos antes do campeonato mundial do Japão. Em entrevista ao blog, o treinador José Roberto Guimarães, disse que vai esperar até a data limite pela recuperação de Paula Pequeno, afirmou que Jaqueline é uma das jogadoras mais importantes na atualidade, criticou os métodos de classificação para o Grand Prix e pediu paciência e carinho com as levantadoras Dani Lins e Fabíola. Segundo Zé Roberto, para ser campeão mundial, o Brasil terá que ser versátil e não contar somente com 6 jogadoras.

Você consegue encontrar alguma explicação para os casos da Mari e da Paula ?  

Não. Mas também não acho que tenha sido mau-olhado em relação as jogadoras. Simplesmente aconteceu. Foi realmente muita falta de sorte perder duas atletas tão importantes na fase final de um campeonato tão difícil como o Grand Prix.

Você acha que a Paula estará no mundial ?

A Paula sempre foi uma guerreira e espero que sim. Geralmente ela se recupera antes do tempo previsto, essa é a nossa esperança. Mas vou esperar pela Paula até o último momento, ou seja, a nossa data limite. Se der, ótimo, caso contrário vamos valorizar o grupo que reprsentará o Brasil.

E como foi a perda da Mari ? O que significa ?

A Mari é uma jogadora espetacular e foi uma perda enorme. Mas precisamos aprender a nos preocupar com o ser humano Mari primeiramente e não com a jogadora Mari. Minha preocupação sempre foi a integridade física dela e de qualquer outra jogadora. Ela é jovem e vai dar a volta por cima, tenho certeza. Tinha muita esperança que ela não tivesse rompido, mas agora é se concentrar na recuperação dela e a Mari estará sempre com a gente.

Sem a Mari e não podendo contar com a Paula você vai escalar a Natália ?

A Natália já está sendo preparada faz tempo. Se engana quem pensa que ela não treina passe na seleção. Ela e a Joycinha sempre treinaram passe e vão continuar treinando. A Natália tem um potencial espetacular e se for escalada vai dar conta do recado. Mas não podemos jogar a responsabilidade e toda a carga de um mundial em cima dela. Isso seria injusto e prejudicial para a atleta.

A Jaqueline seria a outra ponteira ?

Sim. A Jaqueline é uma jogadora fundamental no esquema da seleção. Ela foi muito bem no ataque, dá volume de jogo e equilíbrio no passe.

O que esperar da Fernanda Garay ?

Espero que ela possa se dedicar e aproveitar a chance de treinar novamente na seleção. Nós conhecemos a Fernanda que esteve com a seleção no ano passado, mas agora as circunstâncias são diferentes. O tempo é curto e não daria para observar mais jogadoras, por isso a Fernanda foi chamada.

Quais os fundamentos que a seleção precisa evoluir para o mundial ?

A defesa. Precisamos defender mais no mundial. Mas no geral, penso que a seleção foi bem no Grand Prix. O que vamos precisar entender é que todas as jogadoras são importantes e precisam estar preparadas para jogar. Não se ganha o mundial com 6 atletas e na seleção vai jogar quem estiver melhor.

Porque você diz isso ?

Li que você escreveu que a Natália rende mais quando começa jogando e não quando entra durante as partidas. Não pode e não será assim. A jogadora precisa render o mesmo jogando de cara ou substituíndo uma companheira. Imagina se eu só puder contar com atletas que joguem desde o início ? Não dá. Isso não existe. Quero e preciso ter um grupo versátil nas mãos e as jogadoras podendo ser aproveitadas em diversas posições, duas pelo menos. A jogadora precisa brigar para ser titular e não se acomodar.      

E o que existiu de verdade sobre a volta da Fofão ?

A Fofão teve a chance de voltar e não quis. Hoje não daria mais. Estaria indo contra os meus princípios.

Por falar em levantadora quem é a titular no momento ?

A Fabíola está um degrau acima. A Dani precisa correr atrás e não que ela esteja desmotivada, pelo contrário. Mas é uma briga leal e dentro de quadra. Fora de quadra as duas se ajudam bastante e uma incentiva a outra. Se não gostasse da Dani como muitos dizem, não teria convocado.

E porque a Fabíola é titular então ?

Como disse antes, ela está um pouco na frente da Dani apenas. A Fabíola subiu muito de produção, tem força de vontade e tem a incrível capacidade de chegar de toque em todas as bolas. É raro ver a Fabíola levantar de manchete. Poucas vezes vi uma levantadora chegar tão inteira nas bolas e ela tem essa vantagem. A seleção e especialmente as duas levantadoras necessitam de muito carinho e a gente precisa ter paciência com elas.   

E a história do 'apadrinhamento' da Fabíola ?

Você me conhece e sabe que isso não acontece. O Pauo Coco e o Claudinho são importantes na comissão, me ajudam bastante, mas a decisão é minha. Jamais colocaria uma jogadora para jogar por 'apadrinhamento'. Fico triste que ex-jogadoras pensem assim.      

O que você achou da convocação da Carolina Costagrande na Itália ?

Ótimo para elas. Trata-se de uma bela jogadora, quase completa. Certamente a Itália ficará ainda mais forte com a presença dela em quadra.

E quem sai para ela jogar ?

A Piccinini.

Você fez várias críticas ao Grand Prix. Pensa em jogar ano que vem ?

Sim, mas muita coisa precisa mudar. Não dá para jogar 5 jogos em 5 dias, isso é desumano com o atleta. E outra coisa. O nosso classificatório para o Grand Prix tem que ser jogado na América do Sul e não na Copa Pan-Americana. O Brasil faz parte da América do Sul.  Esse tal de Cristóbal da Norceca e da República Dominicana pensa que manda e desmanda, mas não será assim com o Brasil. Ele que nos trate com mais respeito. Se tiver que jogar com juvenil novamente, vamos jogar. Até que eles mudem esse critério absurdo de nos colocar na América Central.     

   

         

 

    

 

Por Bruno Voloch às 14h51

Sobre o autor

Carioca, tem mais de 20 anos de profissão. Iniciou a carreira na extinta TV Manchete em 1988. Foram 6 anos até ser contrato pela Band Rio em 1994. No ano seguinte estava no Sportv/Globo onde foi idealizador e apresentador do programa Supervolley. Atuou como repórter de 1995 até 2003, e participou da cobertura dos campeonatos brasileiros de 1995 a 2003 em jogos ao vivo. Em 2004 se transferiu para o Bandsports, onde criou e comandou os programas "Roda de vôlei "e Linha de 3". Foi apresentador e comentarista de vôlei e basquete do canal. Em 2008 acumulou a função de diretor de jornalismo até setembro de 2009. De 2007 até 2009 foi colunista da rádio Bandnews FM do Rio e trabalhou nos jornais Lance e Jornal dos Sports. Participou da cobertura de 3 Copas do Mundo, 3 Olimpíadas e das últimas 3 últimas edições do Pan. Hoje é colunista do Jornal do Brasil e comenta futebol para a Bandnews FM/Rio de Janeiro e rádio Terê FM/Rio de Janeiro. É especialista em vôlei.

Sobre o blog

Opinião e informação sobre o que de mais relevante ocorre no vôlei no Brasil e no mundo.

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