Blog do Bruno Voloch

09/10/2010

Brasil fugiu de Cuba. E agora ?

Como é bom ganhar na bola.

A seleção provou diante da Itália que tem bola para ganhar de qualquer adversário. Tudo bem que os italianos são inferiores tecnicamente e sabiam que a missão seria das mais complicadas. Mas fizemos nossa parte e na bola. Repito, ganhamos na bola, na técnica e com sobras em quadra.

O esperado equilibrio entre Brasil e Itália foi desenhado apenas na mente daqueles que não vivem o vôlei e não acompanham o esporte de perto. A Itália é no máximo uma seleção esforçada, com um ótimo levantador, um central de alto nível como Mastrangelo e um oposto como Fei em decadência.

Verdade seja dita. Precisamos de um set para mostrar toda a nossa superioridade. Ganhamos com incrível facilidade e absoluto domínio o set inicial. A única maneira dos italianos equilibrarem a partida, seria levando o jogo para o lado emocional, da provocação e gritaria, situação que aconteceu a partir da metade do segundo set e em boa parte do terceiro set.

Está explicada a 'revolta' italiana ao ver nossa seleção entregar o jogo para a Bulgária no 'dia da vergonha'. Eles sabiam de antemão, que teriam que passar por nós para chegar na final. Se a seleção tivesse ganho o jogo contra Bulgária, eles só cruzariam com a gente numa eventual disputa de título.

Revolta deles e revolta nossa aqui, diga-se de passagem. O título, se vier, será marcado por essa atitude vergonhosa. O 'dia da vergonha' não será esquecido e cada vitória que conquistamos diante de adversários tradicionais, nos faz ter a certeza de que fizemos errado e não tínhamos a menor necessidade de manchar um tricampeonato que pode ser selado neste domingo.

Voltando ao jogo contra a Itália, digo com prazer que Leandro Vissoto calou a boca de muita gente. Jogou muita bola e a briga com Bernardinho deixou Leandro mais solto em quadra, sem tanta pressão. As vezes faz bem desabafar.

Ficou provado que esse grupo gosta e se supera na pressão. As vaias e as faixas de protestos serviaram de incentivo e o que fizemos ?

Jogamos para ganhar. Simples assim.

Peço licença ao companheiro Juca Kfouri e uso o trecho final de seu raciocínio:

"Quem quer ser campeão não escolhe adversário". Perfeito.

 

 

 

            

 

Por Bruno Voloch às 22h22

Brasil é favorito e ponto final

Tenho lido nos últimos dias comentários e diversas opiniões sobre o jogo de hoje entre Brasil e Itália.

A Itália é isso, é aquilo, joga em casa, tem pressão da torcida, rivalidade e ambiente ruim. Pois bem. Apesar de tudo o que vimos nesse mundial de 'podre' fora e dentro de quadra, incluindo nossa participação no 'dia da vergonha', acho a seleção brasileira muito favorita nessa semifinal.

A Itália teve de fato um timaço nos anos 90 e a seleção cansou de perder para eles. Mas a situação se reverteu a partir do ano 2000. Equlibramos as coisas e passamos a dominar os confrontos. Seria um exagero dizer que os italianos são fregueses do Brasil, mas os números nos mostram que a Itália não consegue ganhar da seleção nos momentos de decisão.  

Foi assim na disputa pela medalha de Ouro nos jogos de Atenas em 2004 e na semifinal de Pequim em 2008. Quer mais ?

Nos encontramos nos mundiais da Argentina em 2002 e no Japão em 2006, com vitórias do Brasil.

Se essas vitórias pesam para o confronto de hoje ? Lógico que sim. É a chamada tradição e é evidente que esses jogos passam pela cabeça dos atletas, mesmo que muitos deles não tenham tido participação direta nos jogos citados acima.

O Brasil não tem a mesma força de 2006 e 2008 ?

Não. Também concordo que o time campeão mundial de 2006 era mais forte que o atual, especialmente pela presença de Ricardinho.

A Itália passou por um único teste nesse mundial que foi diante dos Estados Unidos. Eles demonstraram uma determinação impressionante, técnica e controle emocional. Mas foi só. 8 jogos e uma vitória convincente.

A seleção brasileira teve altos e baixos no mundial, mas chega fortalecida porque foi a única sobrevivente das seleções que 'armaram' resultados. Os jogadores absorveram as críticas e jogaram bola contra República Tcheca e Alemanha. Simples. Fizeram o que deveriam ter feito contra a Bulgária. E antes que alguns digam que isso é passado, não é e não será esquecido mesmo com o título.

O Brasil depende muito de Murilo e Dante. Murilo principalmente. Se estiver num dia iluminado, é meio caminho andado. Dante também é importante e Rodrigão tem se mostrado efetivo nas horas decisivas. Esse tripé formado por Muirlo, Dante e Rodrigão é o caminho para a vitória. Se os 3 jogarem o que sabem, o Brasil ganha da Itália.

Os líberos de equivalem e não são confiáveis. Tanto Mário Jr com o Marra erram demais. 

Prefiro o levantador Vermiglio que é mais experiente e bem mais rodado do que Bruno. Mas não é só isso. Vermiglio é muito habilidoso, inteligente e muito concentrado. Joga provocando e tem uma leitura perfeita do bloqueio adversário.

O oposto Fei é uma incógnita, assim como Leandro Vissoto. Empatamos. Podem fazer um partidaço, como podem não jogar nada e acabarem no banco como vimos nas fases anteriores.

Gosto do ponta Savani e do central Mastrangelo. Dois jogadores perigosos e que devem ser bem marcados.

O saque, arma dos italianos, deve ser pesado para cima de nós. Até aí nenhuma novidade e precisamos contar novamente com um Murilo inspirado no fundo de quadra. Mas nosso saque tático é que tem feito a diferença. Não tem sido na força e sim no jeito. Sacar certo na posição correta.

Na técnica acho que o Brasil sobra. No coração e na determinação, eles podem surpreender. Será a última chance de boa parte dessa geração ganhar um mundial em casa diante da torcida.

Se ela pode fazer a diferença ? Vai depender do nosso comportamento e da nossa postura. Estamos acostumados com pressão e a torcida não pode servir de desculpa para um eventual tropeço.

Deve ser um jogo marcado pelo nervosismo e por muita provocação de lado a lado. É isso pelo menos que se espera e que se criou nos últimos dias. Levar o jogo para esse lado, só iria favorecer a Itália.

Se jogar bola e esquecer as provocações, o Brasil ganha com sobras essa semifinal.            

     

Por Bruno Voloch às 08h25

07/10/2010

Após 'armação', eliminação precoce pode derrubar técnico da Rússia

A imprensa da Rússia não perdoa a eliminação precoce da seleção no mundial da Itália.

A derrota para a Sérvia ainda nas quartas de final, pode derrubar o renomado treinador italiano Daniele Bagnoli. Alguns dirigentes russos ligados a confederação, não perdoam a derrota proposital diante da Espanha ainda na segunda fase e que jogou a Rússia em um grupo teoricamente mais fácil.

A idéia de Bagnoli era fugir do confronto com o Brasil, eventual primeiro colocado. Mas o Brasil também entregou seu jogo e empurrou a Rússia para enfrentar Sérvia e Argentina.

A derrota para a Sérvia eliminou a Rússia do mundial. Apesar te ter vencido a Argentina por 3 a 0 e estar na disputa pelo quinto lugar, a cobrança da imprensa e a postura de alguns dirigentes, não agradaram ao treinador Bagnoli.

A Rússia perdeu o título da Liga Mundial para o Brasil esse ano e tinha eliminado exatamente na semifinal a seleção da Sérvia. Pelo retrospecto positivo, os russos decidiram arriscar e jogar novamente contra os sérvios, mas dessa vez perderam e foram eliminados do mundial.

Daniele Bagnoli assumiu a seleção da Rússia no ano passado substituindo Vladimir Alekno. Bagnoli ganhou vários títulos na Itália, foi 8 vezes campeão  dirigindo o Modena e 6 comandando o Sisley Treviso.

No campeonato europeu de 2009, Bagnoli foi apenas quarto colocado com a Rússia. Sempre favorita, a Rússia não ganha um campeonato de ponta desde 2002 quando derrotou o Brasil na Liga Mundial. A última conquista europeia foi em 1991 na Alemanha.

A Rússia ganhou o mundial pela última vez em 1982 na Argentina e agora luta para tentar melhorar a posição alcançada no Japão em 2006 quando terminou em sétimo lugar.

Uma reunião será marcarda até o fim do mês e deverá definir o destino de Daniele Bagnoli.         

 

Por Bruno Voloch às 08h22

São Bernardo anuncia Danielle Scott e Minas fecha com Nicole Fawcett

Mais duas jogadoras norte-americanas estão a caminho do vôlei brasileiro.

Uma delas é conhecida dos torcedores e veterana em termos de superliga. Danielle Scott acertou contrato com o time de São Bernardo e será a principal estrela da equipe paulista na próxima edição da superliga.

Dani foi medalha de prata nos jogos olímpicos de Pequim em 2008 e passou por grandes clubes do vôlei nacional como os extintos Leites Nestlé, BCN/Osasco, Macaé e Finasa/Osasco. A jogadora está com 38 anos e participou de 4 olimpíadas. Na última temporada antes de engravidar, Dani defendeu o Castellana na Itália em 2008/2009.

O Minas finalmente deu sinal de vida. Para o lugar da oposta Nancy Metcalf, a direção do clube mineiro está acertando com Nicole Fawcett.

Nicole esteve na Rússia na temporada passada onde jogou pelo Dinamo Krasnodar. A jogadora se destacou na vôlei universitário, tem 22 anos, 1.91 de altura e estava na relação do time campeão do Grand Prix em 2010.

Com Danielle e Nicole, serão ao todo 4 jogadoras norte-americanas na superliga. Alisha Glass e a líbero Stacy Sykora jogarão pelo Vôlei Futuro de Araçatuba.          

Por Bruno Voloch às 07h46

Itália perde Barazza para o mundial do Japão

Por essa o treinador da Itália não esperava.

Massimo Barbolini recebeu a notícia de que a jogadora Jenny Barrazza está grávida e consequentemente fora do mundial.

O técnico já havia perdido a central Martina Guiggi por causa de uma lesão no joelho, fica sem mais uma jogadora de meio às vésperas do campeonato. Gioli é titular e Barbolini ainda poderá contar com Arrighetti, Garzaro e Crisanti para a posição.

Barazza justificou a gravidez como um 'imprevisto'.

A jogadora tinha assinado recentemente contrato com o Eczacibasi da Turquia. Heather Bown, titular dos Estados Unidos, deve substituir Barazza na equipe turca.  

Por Bruno Voloch às 07h17

06/10/2010

Seleção tinha que valorizar a escolha. 3 a 0 foi a resposta

Agora sim.

A seleção mostrou em quadra porque escolheu enfrentar República Tcheca e Alemanha nas quartas de final. A decisão que gerou tanta polêmica após o 'dia da vergonha', foi bastante discutida, mas a seleção sabia que pegaria duas seleções fracas e inexperientes ao invés de Espanha e Cuba . Por isso optou em 'entregar' a partida para a Bulgária.

A resposta pelo comportamento no 'dia da vergonha' veio diante da Alemanha, adversário dos sonhos para o Brasil se tratando de uma partida de quartas de final de um campeonato mundial.

Mas é preciso saber separar as coisas. A crítica a postura no 'dia da vergonha' segue inalterada e a mancha na carreira de cada atleta não será apagada nem mesmo em caso de título. E eles sabem disso.   

Outra coisa foi nosso jogo contra a Alemanha. Jogamos contra um adversário bem mais fraco em termos técnicos e sem a menor tradição. Mas isso não desmerece a vitória da seleção, pelo contrário, afinal jogamos e jogaremos sempre pressionados pelo título.

Soubemos neutralizar o principal jogador da Alemanha e não deixamos o levantador deles jogar em velocidade. Bernardinho sabia o que estava fazendo quando mandou os jogadores entregarem a partida para a Bulgária. Ele tinha a exata noção do que representaria jogar contra a Alemanha.

Mas repito. Não serve de explicação e nem me convence aquela atitude antidesportiva diante da Bulgária.

De positivo contra a Alemanha foi ver novamente um Vissoto de alto astral, solto e rodando a maioria das bolas. A seleção precisa muito dele, um jogador de qualidade e personalidade difícil. Bernardinho que o diga, porque sobrou até para ele após a vitória contra a República Tcheca.

O Brasil fez dele nada mais do que se esperava. Ganhar da Alemanha era obrigação, afinal escolhemos esse caminho.

Mas como é bom ganhar na bola, ainda mais sabendo que temos potencial de sobra para enfrentar qualquer adversário.    

 

 

       

Por Bruno Voloch às 13h55

Após 'armação', Rússia e Estados Unidos pagam com eliminação

Não foi muito longe a 'armação' de Rússia e Estados Unidos no mundial.

As duas seleções pagaram rápido suas 'dívidas' e foram eliminadas da competição. O resultado em quadra prevaleceu.

Devo lembrar que Rússia e Estados Unidos entregaram seus jogos para Espanha e República Tcheca respectivamente na segunda fase, evitando assim, jogar contra o Brasil.

A Rússia caiu diante da Sérvia e os norte-americanos perderam para a Itália. A justiça nesses dois casos agiu com incrível rapidez e tirou duas seleções tradicionais da briga pelo título.

Não dá para escolher adversário em mundial. Quem poderia garantir aos russos que seria mais fácil derrotar a Sérvia do que o Brasil ?

Porque evitar esse confronto ?

E os norte-americanos ?

Se jogassem sério venceriam a frágil República Tcheca por 3 a 0, assim como fez a Alemanha. Mas não, os norte-americanos queriam evitar a própria Rússia e o Brasil.

Não se discute as opções e sim a postura de Rússia e Estados Unidos.

A boa e instável Sérvia está nas semifinais e aguarda por Cuba ou Bulgária. A Itália precisa apenas derrotar a França e terá seu passaporte carimbado.

Pela campanha de recuperação que fez no mundial, a Sérvia chega com méritos. Derrotou Cuba na fase anterior, passou com sobras pela Argentina e venceu com autoridade a Rússia. A Sérvia pode brigar pelo título ?

Sim. Especialmente se cruzar novamente com Cuba.

E a Itália ? Bem, a Itália segue invicta e teve que jogar bola pela primeira vez no mundial para vencer o bom e perigoso time dos Estados Unidos. A seleção italiana jogou pressionada por um ginásio lotado e teve personalidade para virar a partida após um primeiro set muito ruim. 

Hoje, não deve ter problemas contra a França.

Os deuses do vôlei devem estar felizes. A justiça foi feita e na bola.   

Por Bruno Voloch às 07h21

04/10/2010

Com incrível 'evolução', seleção sua para derrotar adversário 'escolhido'

Não teve 'marmelada' dessa vez. 

Mesmo jogando contra um dos adversários que escolheu após o 'dia da vergonha', a seleção suou, tomou a virada, deixou escapar dois sets, mas conseguiu derrotar a 'poderosa' República Tcheca.

Mas o caminho mais fácil não passava pela República Tcheca ? E mesmo assim cortamos um dobrado para vencer ?

Pois é. O que era obrigação moral, virou sofrimento após os 3 a 2 da rodada de abertura da terceira fase.

O que mais me chamou atenção foi a 'evolução' fantástica da seleção desde a derrota para a Bulgária no 'dia da vergonha' no último sábado. Não estamos falando de uma semana, 10 dias e sim apenas dois dias, e nossa seleção teve uma 'evolução' em todos os fundamentos.

Incrível. Só pode ter a mão do treinador.

Aliás, verdade seja dita. A 'evolução' passou pelas mãos do levantador Bruno e do ótimo Murilo que não participaram do 'dia da vergonha'.

Contra a Bulgária fizemos 5 pontos de bloqueio. Diante da República Tcheca foram 16 pontos nesse fundamento. Destaque para Rodrigão, que parecia mais concentado e disposto do que no sábado passado.

Nosso passe evoluiu também. Levamos 8 pontos de saque contra a Bulgária e dessa vez sofremos apenas dois pontos diretos. E o nosso ataque ?

Nada como um bom treinamento. Fizemos 23 pontos na 'inesperada' derrota para a Bulgária e marcamos 70 contra a República Tcheca. Números significaticos e impressionantes.  

Mas tudo não passa de uma grande coincidência. Sinceramente, prefiro creditar essa vitória a presença de três jogadores em quadra: Murilo, Dante e Théo.

Murilo sobrou, carregou o time nas costas, enquanto Théo tirou um peso das costas. Não foi 'usado' como na partida contra a Bulgária e com 'raiva' provou seu valor ao chefe.

Por sinal, Bernardinho foi mal. Depois de quase ter sido atropelado por Stokr, o treinador parecia estar vendo outro jogo. Demorou para enxergar a partida e tirar Vissoto de quadra.

Insatisfeito, Vissoto descontou toda sua ira quebrando a placa de substituição.

Dessa vez não teve 'marmelada' e tirando a 'fantástica' evolução técnica, boa parte dos envolvidos no 'dia da vergonha', deve agradecer o resultado aos jogadores Murilo e Théo.   

    

  

 

 

    

  

Por Bruno Voloch às 22h03

Sem 'marmelada', Brasil tem obrigação de vencer por 3 a 0

Hoje tem jogo sério e sem direito a 'marmelada'.

Após uma semana tensa, cercada de suspeitas e que terminou com Brasil e Bulgária protagonizando o 'dia da vergonha', começamos enfim a terceira fase do campeonato mundial.

França e Estados Unidos abrem a disputa do grupo O. Promessa de um jogo equilibrado e aparentemente sem favorito. As duas seleções fizeram uma campanha irregular nas fases anteriores, mas o time norte-americano é mais experiente. Será um duelo interessante entre Stanley e Rouzier. Dizem que se jogar, Rouzier não estará 100% fisicamente. A França perde muito sem esse jogador, considerado o principal atacante da equipe no mundial.

Sérvia e Argentina jogam no mesmo horário. Deverá ser um ótimo jogo e confesso que não esperava um desempenho tão bom da Argertina nesse campeonato.

A Sérvia fez jogos ruins na primeira fase, mas se encontrou após bater Cuba de virada por 3 a 1. Cuba, aquela que nos ganhou e 'fugimos' em seguida. A seleção da Sérvia é mais rodada, mas nenhuma seleção joga com tanta garra e disposição como os argentinos. Conte está atravessando uma fase espetacular e é o ponto de equilíbrio do time comandado por Weber. A Sérvia leva um ligeiro favoritismo, mas gostaria muito que a Argentina ganhasse a partida. Faria um bem enorme para esse mundial marcado por trapaças.

Não menos pressionada do que o Brasil, a Bulgária encara a Espanha. É favorita e tem obrigação de vencer após o 'dia da vergonha'. A Bulgária jogará contra um adversário perigoso e que vai entrar em quadra sem nenhuma responsabilidade, ainda mais após os fatos lamentáveis ocorridos no mundial. O segredo da Espanha está no banco, com o competente e íntegro Julio Velasco. Exemplo de profissional.

E o Brasil ?

Bem, posso deduzir que escolhemos jogar contra a República Tcheca porque são mais fracos que a Espanha. Então não existe motivo para preocupação. 

Se a comissão técnica e os jogadores optaram por esse caminho, sabem o que estão fazendo. 3 a 0 na República Tcheca é questão de honra e obrigação.

Abalados, envergonhados e com toda uma torcida contra, a seleção vai precisar ter personalidade para entrar em quadra e esquecer o 'dia da vergonha'. Mas se escolhemos esse caminho, como disse acima, devemos estar preparados para o que enfrentaremos dentro e fora de quadra daqui em diante.  

Como bem disse Giba, hoje começa o campeonato. Estão todos de olho no Brasil, desde os dirigentes, passando pelos torcedores até chegar na arbitragem. A tolerância com nossa seleção será zero. 

Tomara que Bruno esteja melhor da gripe e a boa notícia fica por conta da presença de Marlon no banco. Murilo, livre do 'dia da vergonha', volta ao time.      

Falar taticamente do que pode ser o jogo é perda de tempo, afinal sabemos que será 3 a 0 para o Brasil. Escolhemos esse caminho ...             

Por Bruno Voloch às 07h40

03/10/2010

Após o 'dia da vergonha', Giba 'bate de frente' com Bernardinho

Os jornais italianos 'acordaram' massacrando a seleção brasileira. O Brasil não 'jogou' sozinho, mas o alvo foi todo direcionado para Bernardinho e seus comandados.

Se a pressão pela conquista do tricampeonato era grande, imagine como será daqui em diante ?

Escrevi há algumas semanas, que a FIVB não tem o menor interesse em ver novamente o Brasil campeão mundial. Não mexo uma linha sequer.

Não podemos fazer acusações sem provas, mas é evidente que o regulamento da competição favorece os italianos. Mas e daí ?

O exemplo de Rússia e Estados Unidos não deveria ser seguido, por isso a decepção com o comportamento da seleção diante da Bulgária no 'dia da vergonha'.

Não se trata de hiprocrisia. A seleção tem os mesmos direitos e apenas procurou o melhor caminho dentro de uma competição. Mas usar as mesmas armas ? Vi algumas declarações na véspera do jogo com os jogadores negando que entregariam a partida e o que seu viu ?

Uma vergonha.

Ataques para fora, saques errados, passes estourando e sorrisos irônicos, como o do líbero Mário Jr em um dos pedidos de tempo de Bernardinho. Que decepção esse rapaz.

Sabe quando Serginho iria se sujeitar a isso ?

Nunca. Ele poderia entrar em quadra, mas na sua função, faria o melhor. O líbero brasileiro foi vergonhoso. Era melhor ter ficado na arquibancada como fez o líbero da Bulgária.

E o futuro ?

Bem, esse grupo já está marcado pelo 'dia da vergonha', mas tem bola por incrível que possa paracer, para vencer o mundial. Por isso a revolta. Essa é a nossa diferença para russos e norte-americanos.

Não esperem daqui pra frente boa vontade dos árbitros e da FIVB de um modo geral. Serão todos contra o Brasil e a Bulgária, que fez parte do 'teatro' e acabou sendo esquecida no 'dia da vergonha'. 

Zorzi, um dos maiores jogadores de todos os tempos e membro da melhor equipe do século, 'arrebentou' com a seleção. Disse ter ficado 'enjoado' com o que viu de perto. Zorzi tem crédito, mas defende seus interesses e por ser italiano, suas colocações são no mínimo duvidosas.

Já em Roma, a seleção deve tentar esquecer a vergonha que nos fez passar e se concentrar na República Tcheca e na Alemanha. Temos obrigação de vencer essas duas seleções, ganhar da Itália ou dos Estados Unidos e passar por cima de Bulgária, Rússia ou Cuba na decisão.

Obrigação ?

Sim, claro. Ainda mais depois do 'dia da vergonha'.

É preciso ter peito e assumir as responsabilidades, coisa que Bernardinho não fez após a derrota para a Bulgária. Se sentir envergonhado é pouco nesse caso. Assumir responsabilidades dirigindo uma seleção ou escrevendo.

É maravilhoso ter liberdade de expressão, poder escrever o que pensamos, sem ter a preocupação de agradar a ninguém. Assim se faz o jornalismo.

Esse grupo já passou por muitas dificuldades, mas costuma se superar nas horas de adversidade. Tomara. 

Espero que o grupo saiba mesmo o que está fazendo. Como bem disse o coerente Giba, muito mais corajoso que Bernardinho, 'é uma mancha na carreira'.

Não seria mais simples assumir a 'farsa' e dizer que pediu aos jogadores que entregassem a partida ? Porque jogar a culpa na febre de Bruno ?

Ok, Bruno estava com febre, mas nada justifica a postura da seleção.

Por mais que vença o mundial e conquiste o tricampeonato, o 'dia da vergonha' jamais será esquecido. Ganhar esse mundial é o mínimo que essa seleção pode fazer.

Mas se ganharmos, vamos comemorar o que ?

Por enquanto, podemos comemorar a coragem de Giba, que foi o único jogador que deu entrevistas, confessou a 'farsa' e deu a cara pra bater.                         

Por Bruno Voloch às 11h09

Sobre o autor

Carioca, tem mais de 20 anos de profissão. Iniciou a carreira na extinta TV Manchete em 1988. Foram 6 anos até ser contrato pela Band Rio em 1994. No ano seguinte estava no Sportv/Globo onde foi idealizador e apresentador do programa Supervolley. Atuou como repórter de 1995 até 2003, e participou da cobertura dos campeonatos brasileiros de 1995 a 2003 em jogos ao vivo. Em 2004 se transferiu para o Bandsports, onde criou e comandou os programas "Roda de vôlei "e Linha de 3". Foi apresentador e comentarista de vôlei e basquete do canal. Em 2008 acumulou a função de diretor de jornalismo até setembro de 2009. De 2007 até 2009 foi colunista da rádio Bandnews FM do Rio e trabalhou nos jornais Lance e Jornal dos Sports. Participou da cobertura de 3 Copas do Mundo, 3 Olimpíadas e das últimas 3 últimas edições do Pan. Hoje é colunista do Jornal do Brasil e comenta futebol para a Bandnews FM/Rio de Janeiro e rádio Terê FM/Rio de Janeiro. É especialista em vôlei.

Sobre o blog

Opinião e informação sobre o que de mais relevante ocorre no vôlei no Brasil e no mundo.

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