Blog do Bruno Voloch

15/10/2010

Esperança da Itália, Carolina Costagrande é cortada da seleção

Durou pouco o sonho do torcedor italiano de ver Carolina Costagrande jogando pela seleção.

Após a campanha ruim no Grand Prix, Costagrande foi convocada pelo treinador Massimo Barbolini para os treinamentos visando o mundial do Japão. A convocação era um exigência da mídia e Barbolini enfim estava abrindo espaço para a jogadora.

Mas as coisas não saíram exatamente como Barbolini e principalmente Costagrande esperavam e tinham como objetivo.

A jogadora, que ainda se recuperava de uma inflamação joelho direito, não conseguiu atingir a forma física ideal exigida pela comissão técnica.

Costagrande, antes de ser convocada, estava se planejando para entrar em forma somente em meados de novembro, perto do início do campeonato russo. A atleta conversou com os médicos da seleção, do Pesaro e do Dínamo de Moscou e achou 'arriscado' jogar o mundial e antecipar seu retorno em função da disputa do mundial.  

Costagrande disse que não seria útil para a seleção se não estivese 100% fisicamente. Sincera, a jogadora negou que o ambiente na seleção tenha contribuído para a decisão de não jogar o mundial.

As jogadoras italianas nunca foram simpáticas à idéia de ter estrengeiras na seleção. A cubana naturalizada italiana, Aguero, jogou a Olimpíada de Pequim em 2008, mas sempre deixou claro o desconforto com as companheiras, em especial Piccinini.

Curiosamente a história se repete agora com Costagrande.

A seleção italiana disputa a partir de hoje a Edisson Challange Cup e enfrentará Croácia, Sérvia e Rússia.  

Por Bruno Voloch às 08h56

Zé Roberto agiu com responsabilidade na decisão de cortar Paula Pequeno

Perfeita a atitude do treinador José Roberto Guimarães no episódio do corte de Paula Pequeno.

O próprio blog já havia antecipado que as chances de Paula disputar o mundial eram pequenas diante do fraco desempenho que a atleta estava apresentando nos treinamentos.

Zé Roberto e a comissão técnica esperavam uma evolução que simplesmente não aconteceu.

Mas que Paula o treinador cortou do mundial ?

Sejamos francos com nós mesmos. Aquela Paula, eleita a melhor jogadora da Olimpíada de Pequim em 2008, não joga faz tempo. Desde que decidiu atuar na Rússia, Paula não conseguiu manter e atingir a forma de dois anos atrás. Fisicamente não é mais a mesma jogadora e luta constantemente para entrar em forma.

A volta para o Brasil, onde vai atuar por Araçatuba, deve fazer bem para Paula, que treinará mais e na carga em que estava habituada antes de se transferir para a europa.

Paula não era titular da seleção no Grand Prix e só entrou no time por causa da contusão de Mari. Caso contrário, seria banco para Jaqueline e Mari.

Sem Mari, evidente que por toda sua experiência e categoria, Paula seria importante nesse mundial. Mas Paula chegou a jogar algumas partidas no Grand Prix e o único jogo que nos traz boas recordações, foi exatamente contra os Estados Unidos. Nas demais partidas que entrou, Paula foi mal.

Paula precisa tentar enxergar o lado positivo do corte. Vai se apresentar mais cedo ao Vôlei Futuro, pode trabalhar sem a pressão e não precisa acelerar seu processo de recuperação. Só deve efetivamente jogar, quando estiver 100%.

Tomara que em Araçatuba, jogando uma superliga forte e com a família ao lado, Paula possa chegar perto da forma que nos encantou em 2008. Igual, não acredito.

Do treinador Zé Roberto, não se esperava outra atitude. Zé agiu com responsabilidade ao cortar Paula. Foi responsável com a jogadora e principalmente justo com as demais atletas.

Seria injusto e perigoso em vários sentidos, insistir e levar Paula para o mundial.

O discurso de preservar a integridade física de Paula foi uma ótima alternativa e uma saída inteligente para dizer que Paula não se recuperou no tempo esperado. Ficou bem para a jogadora.

Zé Roberto sabe que não poderia levar Paula para o mundial e deixar no Brasil Carol Gattaz inteira.

É evidente que Paula e Carol atuam em posições diferentes e não disputavam diretamente uma vaga e sim ser a décima quarta da lista.  Zé Roberto foi coerente com ele e com o grupo.

Abrir exceção para Paula, seria perder moral com as jogadoras e com sua filosofia de trabalho. Zé Roberto não faria isso.

A seleção perde o talento de Paula e a comissão técnica ganha força com as atletas que estarão no mundial. Elas é que precisam de incentivo a partir desse momento. Não existe tempo para lamentações.        

Por Bruno Voloch às 08h32

13/10/2010

Paula Pequeno ou Carol Gattaz: Uma delas será cortada da seleção brasileira

O treinador Zé Roberto prometeu definir essa semana as 14 jogadoras que representarão o Brasil no mundial do Japão.

A única dúvida do treinador está entre Paula Pequeno e Carol Gattaz. Zé Roberto provavelmente irá levar duas líberos, Fabi e Camila, e ainda aguarda pela recuperação de Paula.

Fernanda Garay, convocada para o lugar de Mari, está quase certa.

Natália e Jaqueline são hoje as ponteiras mais seguras da seleção. Fernanda é uma incógnita em termos de rendimento no mundial e Sassá não é ponteira de decisão.     

Segundo o blog apurou, a situação de Paula é complicada. Até agora nos treinamentos da semana, Paula não rendeu o que a comissão técnica esperava. A jogadora tem tido dificulades de virar bolas, está lenta, com deslocamento ruim e sem potência de ataque. O tempo é curto.

Por mais que Zé Roberto tenha simpatia por Paula e saiba de sua importância para o grupo, a atleta dificilmente irá ao mundial.

Zé Roberto nesse caso levaria 4 centrais e Carol Gattaz estaria na lista. Carol está totalmente recuperada da contusão e treinando normalmente.

O técnico da seleção sempre fez questão de dizer que só levaria para o mundial as jogadoras que estivessem 100% fisicamente, o que não é o caso de Paula, pelo contrário.

E mais. Zé estaria sendo incoerente se levasse Paula e deixasse Carol no Brasil. Embora seja a quarta central, Carol está mais inteira que Paula, mesmo que atuem em posições completamente diferentes.     

Seria mais lógico levar Carol.

Zé Roberto sabe que a competição é desgastante, com jogos sucessivos e não seria nada inteligente e coerente com o grupo levar uma jogadora para atuar somente na fase final do mundial.  

Todos nós sabemos da experiência de Paula e dos títulos que conquistou pela seleção, mas insistir com ela, seria um erro enorme. 

Por Bruno Voloch às 14h48

12/10/2010

'Derrota' e 'marmelada' vão ofuscar para sempre conquista do tri

A seleção teve a recepção que merecia.

Apesar do feriado, quase 100 torcedores acordaram cedo e foram ao aeroporto de Gurauhos recepcionar nossos legítimos campeões.

Reflexo da relação carinhosa e de respeito que sempre vai existir com essa geração fanática e acostumada a acompanhar seus ídolos.

Uma coisa foi a chegada no aeroporto, outra bem diferente foi a coletiva de imprensa.

E alguém tinha alguma dúvida que 'o dia da vergonha' e as declarações de Mário Jr ainda em quadra seriam os temas mais abordados ?

Claro que não.

Esses dois assuntos, infelizmente dominaram a coletiva e são manchetes nos principais sites do Brasil. Nesta quarta-feira, serão os assuntos de destaque nos jornais.

Precisava disso ?

É evidente que não. Não seria mais interessante estar falando do título, dos problemas físicos e técnicos superados ao longo do mundial e do MVP Murilo ?

Seria muito melhor e bem mais gratificante. 

Ainda existem aquelas pessoas e alguns jogadores que acham que a imprensa exagerou nessa história toda. Claro que não.

Na coletiva de imprensa, só estiveram presentes jornalistas que não estavam em Roma e o tema principal foi a 'marmelada' ou o 'dia da vergonha', como queiram.

Sei que os jogadores da seleção devem estar magoados, tristes e decepcionados com parte da mídia, mas não tinha jeito. Todos foram unânimes em afirmar que a seleção errou ao 'entregar' o jogo para a Bulgária.

O argumento é o mesmo usado por todos nós. O Brasil, por ser disparado o melhor do mundo, não precisava usar desse artifício para passar de fase e fugir de Cuba.

Os jogadores só caíram na real, quando sofreram esse verdadeiro 'bombardeio' em solo brasileiro. Antes, poderiam usar o argumento de que tratava-se apenas da opinião de um ou outro jornalista especializado. Erraram.

E o que dizer ainda de Mário Jr, que agora se desculpa em público pela atitude de ter confessado o 'crime' ?

Bela atitude. Antes tarde do que nunca para se desculpar e aprender com os erros. Até acho que Mário Jr pode ter dado essas declarações sem a intenção de 'entregar' o time e na ingenuidade.

Roma-São Paulo deve ter sido de turbulência para nosso líbero. Deve ter ouvido poucas e boas de Giba, Dante e cia. Se aprendeu a lição, valeu a pena.

Tenho imenso respeito por Giba, cara que aprendi a admirar esses anos todos no esporte. Mas Giba está equivocado em não admitir o óbvio, por sinal o que foi dito por Mário Jr.

Claro que a seleção foi prejudicada em horários de treinamentos, pela arbitragem, nas refeições e ninguém tinha interesse em ver o Brasil campeão. Isso ficou evidente na última semana.   

Mas negar o óbvio é pior. O próprio Giba disse após a vitória da Bulgária que carregaria a 'mancha negra' eternamente na carreira. Mas se não tivesse acontecido a armação, carregar que 'mancha negra' ?

Uma derrota é algo normal, mas aquela derrota foi anormal.

Giba teve um papel fundamental nesse grupo e mostrou ser acima de tudo um belo profissional. Palmas pra ele. Atitude das mais dignas.

O que Giba e nenhum jogador pode, é achar que não enxergaríamos o óbvio. Pela experiência, Giba, os jogadores e a comissão técnica sabiam que com ou sem o título, esse seria o assunto principal no desembarque. Se usamos esse método 'sujo', vamos arcar com as consequências.

Até acredito que os jogadores e a comissão tenham pensado que se ganhassem o mundial, como ganharam e na bola, a mídia iria esquecer o 'dia da vergonha' ou 'marmelada' que seja. Eles estavam redondamente enganados.    

Apesar do discurso ensaiado e de Mário Jr ter voltado atrás nas declarações, gravadas por sinal, teve sim 'marmelada' na derrota para a Bulgária, o que mancha para sempre o tricampeonato do Brasil. 

Se alguém, seja torcedor, jogador, membro da comissão, parente de atleta, tinha alguma dúvida, a resposta, literalmente, foi dada na entrevista coletiva.

        

    

   

 

Por Bruno Voloch às 14h16

11/10/2010

Líderes da seleção se decepcionam com Mário Jr

Giba e Dante são os jogadores mais experientes da seleção e não engoliram a declaração estapafúrdia de Mário Jr após a conquista do mundial em Roma.

O líbero teve a insanidade de declarar que a seleção entregou mesmo o jogo para a Bulgária ainda na segunda fase da competição.

Não existem adjetivos para qualificar tal atitude, aliás até existem, mas por respeito ao jogador é melhor não citar quais se encaixam na situação. Seria doloroso demais para Mário Jr.

Não entendo sinceramente o que leva um atleta diante de um momento mágico, acabava de ganhar seu primeiro e com certeza último mundial, disparar tamanha asneira.

Se repercutiu mal na mídia, imagine só entre os companheiros.

Giba e Dante estão certíssimos e devem mesmo cobrar de Mário Jr. Não é o caso de retratação e sim de alertar o rapaz. Mário Jr deveria entender que o grupo é formado por 12 ou 15 atletas e quem nem todos 'entregaram' a partida.

O título era para estar sendo curtido, saboreado e já tinha uma enorme 'mancha negra' suficiente para 'sujar' a campanha do tricampeonato. Agora mais essa.

Mário Jr perdeu uma grande oportunidade de ficar calado.

Agora terá que se explicar para Dante, Giba e cia.    

Por Bruno Voloch às 20h32

Murilo: o símbolo da conquista do Brasil

Grande Murilo.

Depois de sofrer tantas críticas por causa do 'maldito' regulamento aprovado, a FIVB finalmente deu uma bola dentro.

Ganhando ou perdendo, Murilo tinha mesmo que ter sido escolhido o MVP do campeonato. Não é segredo para ninguém, que muitas dessas escolhas são políticas e nem sempre são escolhidos os melhores de fato.

O jovem Leon de Cuba teria sido eleito caso Cuba tivesse ganho do Brasil. Mas não ganhou. Mas posso garantir que Leon não vai demorar para ganhar esse prêmio, pois talento ele tem de sobra.

Mas justiça seja feita. Murilo ganhou merecidamente o prêmio de jogador do campeonato.

Me lembro bem que após a medalha de prata na olimpíada de Pequim, fiz algumas criticas ao jogador e não acreditava que Murilo chegasse onde chegou. Estava errado e muito errado. Mas foi a impressão que ficou depois dos jogos de 2008.

Murilo mostrou que eu estava errado.

Hoje posso dizer que Murilo amadureceu e é um atleta completo. Exímio passador, carregou a seleção nas costas nesse fundamento. Dessa geração mais recente, posso citar Nalbert que fazia como poucos essa função de ponta passador.

Murilo é hoje o jogador mais importante da seleção brasileira. Cabeça boa, caratér invejável e muita bola. Humilde, sabe a hora de falar e a hora de evitar as entrevistas. Falo do episódio contra a Bulgária, onde passou direto pelos jornalistas após a partida. Fez certo, estava bem orientado. Perfeito.

Murilo foi guerreiro ao superar as dores musculares e a contusão no jogo contra a Itália.  

Além de dar estabilidade ao setor defensivo, Murilo foi determinante no saque. Curiosamente, saíram das mãos dele os primeiros pontos dos jogos contra a Itália e Cuba.

É preciso se render ao talento desse gaúcho de Passo Fundo.

Murilo provou em quadra porque é o jogador mais importante da atual seleção brasileira.  

Por Bruno Voloch às 08h29

Mário Jr deveria ganhar o 'troféu abacaxi'

Inacreditável.

Fiquei indignado quando soube que Mário Jr teve a coragem de confessar que a seleção entregou o jogo para a Bulgária. Mas agora ?

Será que ele acha que está correto ?

Era o momento de comemorar a conquista, deixas as polêmicas de lado e saborear o tricampeonato.

Poucas vez vi um declaração tão infeliz, embora sincera.

Não seria mais digno dizer que o Brasil jogou para perder logo depois da partida ?

Giba é diferenciado por isso. Me lembro que após a derrota para a Bulgária, Giba disse que carregaria essa mancha negra para o resto da carreira. Para bom entendedor, meia palavra basta. Não falou abertamente que o Brasil entregou o jogo, mas ficou evidente que jogou para não ganhar.

Mário Jr deveria ganhar destaque na mídia como líbero campeão, aquele que defendeu muito ou passou as bolas nas mãos de Bruno. Mas não. Isso não foi possível.

Hoje ele aparece como assunto principal confessando o 'crime'. Pior. Parece se orgulhar de tal atitude, como se servisse de exemplo para aqueles que estão começando a carreira.

Esse rapaz deveria repensar seus princípios e ser melhor orientado.   

Por Bruno Voloch às 07h56

Vissoto apareceu quando a seleção mais precisou

Craque é assim.

Sempre cobramos muito do jogador Leandro Vissoto e não conseguíamos entender porque Leandro não jogava na seleção o que apresentou nos clubes por onde passou.

Cobramos porque sabíamos da sua capacidade.

Leandro não fez uma boa Liga Mundial e inteligente do jeito que é, sabe no íntimo que é verdade.

Nosso oposto fez uma primeira fase irregular e uma segunda fase de altos e baixos. Parecia estar guardando as energias para a fase decisiva. E foi exatamente o que aconteceu.

Me arrisco a dizer que Leandro foi o jogador mais importante e melhor em quadra nos jogos contra a Itália e na decisão contra Cuba. Leandro provou nesses dois jogos, que a cobrança tinha todo sentido.

O jogador desequilibrou diante dos italianos e foi nosso destaque contra Cuba.

Esse mundial serviu para nos mostrar que Leandro é mesmo diferenciado. É o tipo do jogador que gosta de jogar os clássicos e se apresenta nas horas mais complicadas. Se apresenta e resolve.

Leandro Vissoto era um dos mais emocionados após a conquista. Natural. Derrubou a bola do campeonato e ficará para sempre na história.

Esse cara só tem tamanho. Só assusta quem de fato não o conhece. Leandro tem um coração enorme e é um exemplo de lisura.  

Obrigado Leandrão. Você se apresentou na hora certa, só que poderia ao menos ter avisado que seria assim ... 

Por Bruno Voloch às 23h49

Bruno e Marlon respiram aliviados com a conquista inédita

Bruno se superou nesse mundial.

Superou a minha expectativa e a de muita gente.

Bruno jamais se abateu. Mesmo sabendo que começaria o mundial no banco, não se entregou, treinou, correu atrás e teve personalidade para substituir Marlon e ganhar novamente a posição em quadra.

O jogador precisava de um título como esse. Pode não ser o levantador perfeito e talvez não seja mesmo, mas tem tudo para se firmar daqui pra frente. O título mundial vai dar mais confiança para Bruno.

Não foi fácil suportar tanta pressão, sem poder errar e sem ter um reserva imediato. Bruno teve estrela e sorte de campeão. Competência também, é claro.

Muito se discute a capacidade desse jogador, mas Bruno fez contra Cuba uma ótima partida e um mundial muito bom de uma maneira geral. Bruno precisa ainda evoluir em alguns aspectos, algo absolutamente natural para a idade.

Bruno conseguiu nesse mundial se livrar do peso de ser 'filho do homem'. Mostrou que joga na seleção porque tem talento e capacidade. Se tiver humildade, pode ir ainda mais longe na carreira. Bruno parece ter enterrado de vez aqueles que pediam a presença de Ricardinho na seleção. 

Difícil e seria até injusto fazer comparações. Ricardinho é mais completo, mas Bruno tem um futuro brilhante pela frente. Bruno marcou seu lugar e escreveu seu nome na história como campeão mundial.

E Marlon ?

Bem, Marlon também é um legítimo campeão. Dentro e fora de quadra. Passar o que ele passou e terminar como campeão, não é para qualquer um.  Marlon foi lutador, perseverante e quando solicitado, respondeu a altura. Ao substituir Bruno contra a Itália, Marlon sentiu o gostinho de participar da conquista.

O título de campeão mundial é inédito para os dois levantadores. Bruno e Marlon se ajudaram, se respeitam e acima de tudo são merecedores da conquista.

Para os dois, mas para Bruno em especial, a sensação é de alívio.      

Por Bruno Voloch às 23h34

10/10/2010

Bernardinho reconhece 'audiência' do UOL

Que prazer.

Já desconfiava, mas hoje após a conquista memorável da seleção, tive a certeza de que um dos maiores treinadores da história do vôlei mundial é nosso leitor assíduo.

Fico lisonjeado, de verdade.

Enquanto estava blogando e dando um entrevista para uma rádio de São Paulo falando sobre o título, soube que Bernardinho disse após o jogo que era muito facil ficar sentado atrás de um computador ficar criticando as atitudes dele, sem estar vivenciando o mundial.

Pois bem. Ele evidente que se refere ao meu trabalho, do nobre companheiro Juca Kfouri e de tantos outros jornalistas credenciados que criticaram sua deplorável atitude de mandar uma seleção entregar um jogo. 

Porque razão nós devemos concordar que entrar num jogo para perder é o correto ?

Simplesmente porque Bernardinho acha que deve ser assim ?   

Não. Claro que não.

Fico envaidecido e gratificado ao saber que Bernardinho é nosso leitor.

Mas embora tenha tantos títulos na carreira e qualidades indiscutíveis, ou discutíveis, depende do ponto de vista, Bernardinho é apenas mais um entre  3 milhões que nos acompanham por aqui diariamente. 

Trabalhar em um veículo de tamanha credibilidade como o UOl, é escrever com responsabilidade, sem a preocupação de agradar no caso o treinador da seleção.

Pelé, o rei do futebol, já foi alvo de críticas, porque Bernardinho se sente intocável ?

Entendo Bernardinho. Ele achou que a atitude de mandar entregar um jogo passaria despercebida. Estava enganado. Ele pode e manda em parte da mídia, aquela que se submete a seus interesses e tem participação nas parcerias.

O que fazer ?

Aplaudir a declaração de um atleta que acaba de ser campeão confessando que foi obrigado a entregar um jogo ?

Nunca. Desulpe Bernardinho.

Você deve saber bem que as coisas não funcionam assim. Giba e mais recentemente Vissoto que o digam. Giba foi corretíssimo e sabe que a 'mancha negra' ficará para sempre no curriculo. Ele mesmo confessou após a derrota para a Bulgária. 

E Vissoto ?

Só reagiu após colocar Bernardinho em seu devido lugar depois de quebrar a placa de substituição. Reagiu jogando bola e calando a boca dos críticos.

Ficar sentado atrás de um computador é ético sim.

O jornalismo que você acaba de desrespeitar, meu nobre Bernardinho, é antes de tudo e sobretudo, a prática diária da inteligência e o exercício cotidiano do caráter.

 

Por Bruno Voloch às 20h49

Brasil provou que fez a escolha 'errada' e arrasou Cuba

Imagino o que deve estar passando na cabeça de cada jogador da seleção nesse momento.

O time fez uma partida irretocável na decisão e ganhou como quis de Cuba. Logo Cuba, motivo principal da seleção ter entregue o fatídico jogo para a Bulgária.

Em menos de uma hopra e quinze minutos, esse gupo provou que 'errou' ao não enfrentar os cubanos na terceira fase. Porque temer algum adversário quando somos tão superiores ?

Essa pergunta foi respondida por eles próprios com a vitória e o título.

Porque nos fizeram passar por aquela humilhação no 'dia da vergonha' se temos bola para ganhar de qualquer um ?

Essa pergunta também foi respondida. E por quem ?

Também pelos jogadores e em quadra, jogando bola.

Uma pena, lamentável mesmo que esse tricampeonato seja sempre lembrado pela atitude deplorável de entregar uma partida.

Sou novamente obrigado a 'roubar' uma colocação perfeita e absolutamente pertinente do companheiro Juca Kfouri.

'Fins nobres não justificam meios podres'.

Parabéns e que fique essa lição. Para ser respeitado é preciso primeiro aprender a respeitar.     

   

Por Bruno Voloch às 18h38

Na bola, Brasil é favorito. Na ética, Cuba.

Lembro do artigo que escrevi antes do mundial e dizia que Brasil, Itália, Rússia e Cuba eram os favoritos para ganhar o mundial. Não neste ordem exatamente, mas dificilmente o título escaparia de um desses 4.

E não escapou. Bernardinho chegou a citar que Bulgária, Polônia e Sérvia também poderiam brigar pelo primeiro lugar, mas tirado a Sérvia, eliminada nas semifinais, Bulgária e Polônia não foram longe. 

É evidente que a Itália teve seu caminho facilitado pela tabela e foi impedida de chegar pelo menos na decisão por causa da 'armação' do Brasil. O que a seleção brasileira fez, foi apenas antecipar uma eliminação anunciada. A Itália foi até onde deu e tenho minhas dúvidas se terá forças para alcançar a medalha de bronze nesse mundial.

Por merecimento e ética, a Sérvia deveria ficar com o terceiro lugar. Embora não tenha entregue nenhuma partida, a Itália foi claramente beneficiada pelo regulamento. Mas devo lembrar que esse mesmo regulamento foi aprovado pela FIVB. A Sérvia jogou bola e sai do mundial 'limpa'. A Itália nao teve 'culpa'.

O que esperar da final entre Brasil e Cuba ?

Bem, primeiro um ginásio novamente torcendo contra. Segundo, arbitragem neutra, espero eu. Mas não ficaraia assutado e nem me causaria surpresa se árbitros e bandeiras tiverem mais 'carinho' com Cuba. Tomara que não.

O Brasil ainda é o favorito. Apesar de Cuba ter feito uma campanha melhor, a seleção é atual campeã do mundo e Cuba não disputa uma final desde 1990, ou seja, 20 anos. Querendo ou não, a gente não pode saber como vai se comportar esse jovem e talentoso time de Cuba na final.

Já nossa seleção tem experiência de sobra e adora jogar na adversidade.

Analisando time por time, o nosso ainda é melhor. Não me preocupa perder Bruno para a final. Marlon era titular na final da Liga Mundial e só perdeu a condição porque ficou doente. Se pode jogar cinco sets ?

Claro.

Nessa hora o jogador se supera e encontra forças de onde menos se espera. Mas ainda acho que Bruno estará à disposição de Bernardinho. Puro palpite. Hierrezuelo é mais alto e bloqueia mais que nossos levantadores.    

Se tivermos em quadra na final o Vissoto do jogo contra a Itália, estou seguro. Vissoto comeu a bola e foi disparado o melhor em quadra. O canhotinho Hernandez é jovem, não jogou bem diante da Sérvia, mas fez sua melhor partida exatamente contra o Brasil na fase inicial.

Leon e Leal são fortes fisicamente e muito bons no ataque. São dois jogadores que estão sacando pesado e não aliviam no ataque. Mas nossa dupla de ataque formada por Murilo e Dante é igualmente forte. Fisicamente eles estão mais inteiros, mas Murilo e Dante superam na técnica. Os dois são fundamentais no passe também, bem diferente dos cubanos que não se garantem nesse fundamento.

Simon e Rodrigão se equivalem. Simon é apenas mais acionado no ataque e tão importante quanto os ponteiros e o oposto. Saca muito e tem um ótimo bloqueio. Rodrigão está atravessando ótima forma técnica e bloqueando demais. Empate técnico. Camejo é perigoso, mas está abaixo de Simon. Gosto bem mais de Lucão. Com a mão calibrada, é uma boa arma também no saque.

Mario Jr e Gutierrez não fazem diferença alguma. Simples.

A seleção brasileira ainda tem boas opções no banco como Giba, Théo e Sidão. Cuba não. São os que estarão em quadra e pronto.

Muita gente defende a tese de que por merecimento, teria que dar Cuba. Deixando o patriotismo de lado, faz sentido.

Pela bola, o Brasil também merece o tricampeonato. Apesar da 'sujeira' diante da Bulgária, mostramos que quando entramos dispostos a ganhar, ninguém nos supera.

Eles que resolvam em quadra.     

                

Por Bruno Voloch às 09h03

Marlon é predestinado e merecia participar do mundial

Agora dá para dizer que Marlon fez finalmente sua estreia no mundial da Itália. E que estreia.

Entrou na metade no segundo set no lugar de Bruno para não sair mais.

Por sinal, Bruno fez um ótimo primeiro set e estava mantendo o ritmo no segundo set, quando teve a infelicidade de se machucar.

Surge então a oportunidade de Marlon mostrar todo o talento que já conhecemos. Lembro que esse mundial era para Marlon ser titular, posição que ganhou em quadra na Liga Mundial, mas por causa de uma colite, o jogador quase foi cortado, ficou de fora das duas primeiras fases e entrou apenas contra República Tcheca e Alemanha. 

Mas quis o destino que Marlon tivesse nova oprtunidade diante da Itália. Ginásio cheio, semifinal de mundial, rivalidade, ou seja, todos os ingredientes necessários que o jogador precisa.

Marlon entrou frio, mas teve muita personalidade. Impressionante. Jogou com velocidade, fez as melhores opções no ataque e provou toda a sua capacidade como levantador.

Esse cara é predestinado. Não tenho dúvida em afirmar isso. Tão predestinado que não escreveu seu nome naquela sujeira no 'dia da vergonha'. Coisas melhores e especiais estavam reservadas para Marlon. Merecidamente, ainda mais depois de tudo que o jogador passou.

Uma pena que a chance tenha chegado nessas circunstâncias, ou seja, em virtude da contusão de um companheiro. Por sinal, imagina só se Bruno tivesse se machucado contra a Bulgaria ? Seria a desculpa perfeita para Bernardinho, que se defendeu dizendo que tinha apenas um levantador e que teria que poupar o filho com febre. Nossa, Bernardinho iria falar muito.

Tomara que Bruno se recupere. Seria justo poder jogar e participar do melhor da festa. Ficar de fora da decisão seria um castigo muito grande para ele. Marlon diz que ainda não aguenta jogar um jogo inteiro e se não puder contar com Bruno 'inteiro' como fazer ?

Vamos de Théo novamente no banco ?:

Quem sabe.

Acho que Bruno terá condição de jogar e Bernardinho, que já gosta de um mistério, vai aproveitar o problema de Bruno para deixar a dúvida no ar.

O fato é que Marlon por tudo que passou e jogou na Liga Mundial, merece jogar essa final. Marlon é um cara predestinado.   

 

       

 

 

 

 

 

Por Bruno Voloch às 23h08

Sobre o autor

Carioca, tem mais de 20 anos de profissão. Iniciou a carreira na extinta TV Manchete em 1988. Foram 6 anos até ser contrato pela Band Rio em 1994. No ano seguinte estava no Sportv/Globo onde foi idealizador e apresentador do programa Supervolley. Atuou como repórter de 1995 até 2003, e participou da cobertura dos campeonatos brasileiros de 1995 a 2003 em jogos ao vivo. Em 2004 se transferiu para o Bandsports, onde criou e comandou os programas "Roda de vôlei "e Linha de 3". Foi apresentador e comentarista de vôlei e basquete do canal. Em 2008 acumulou a função de diretor de jornalismo até setembro de 2009. De 2007 até 2009 foi colunista da rádio Bandnews FM do Rio e trabalhou nos jornais Lance e Jornal dos Sports. Participou da cobertura de 3 Copas do Mundo, 3 Olimpíadas e das últimas 3 últimas edições do Pan. Hoje é colunista do Jornal do Brasil e comenta futebol para a Bandnews FM/Rio de Janeiro e rádio Terê FM/Rio de Janeiro. É especialista em vôlei.

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Opinião e informação sobre o que de mais relevante ocorre no vôlei no Brasil e no mundo.

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