Blog do Bruno Voloch

13/11/2010

Fabiana e Thaísa disputam prêmio de melhor bloqueadora do mundial

A decisão entre Brasil e Rússia vai determinar também quem será escolhida a melhor bloqueadora do mundial.

A disputa está entre as brasileiras Fabiana e Thaísa.

Fabiana já fez 34 pontos de bloqueio na competição e Thaísa marcou 32. O desempenho delas no jogo contra a Rússia será decisivo e irá determinar quem vai levar o prêmio.

Nas demais posições, o Brasil tem poucas chances de aparecer.

Kosheleva e Gamova da Rússia disputam a condição de melhor atacante do mundo. Takeshita do Japão e Alisha Glass dos Estados Unidos são as mais cotadas como levantadoras.

Sykora dos Estados Unidos, Sano do Japão e Kryuchkova da Rússia: Uma das 3 será escolhida a melhor líbero. 

Sykora e Sano também estão cotadas ainda em outro fundamento e uma delas ganhará como melhor defesa.      

Logan Tom e Del Core são as favoritas na recepção. Jaqueline corre por fora.

O saque deve premiar Kimura do Japão.

Gamova da Rússia, Darnel da Turquia, Kimura do Japão e Sheilla do Brasil concorrem ao prêmio de MVP do mundial. Mas normalmente, a MVP é escolhida após a decisão.

    

 

     

Por Bruno Voloch às 19h22

Jogadoras da seleção preparam homenagem para Mari e Paula Pequeno

Mari e Paula que se preparem para fortes emoções.

Após a final contra a Rússia, as jogadoras da seleção vão homenagear as duas jogadoras que não foram ao mundial por causa de contusão.

A decisão foi tomada assim que o Brasil derrotou o Japão e garantiu seu lugar no pódio. Com a medalha de prata garantida, as jogadoras estão preparando uma surpresa para Mari e Paula.

A idéia inicial seria levar camisas com os números 7 e 4 que Mari e Paula estariam usando se jogassem o mundial. Eufóricas após a vitória contra o Japão, as jogadoras querem inovar e vão conversar no hotel para saber de que maneira podem homenagear as companheiras que estão no Brasil.

Certo mesmo, é que após a conquista, Mari e Paula não serão esquecidas. 

Mari rompeu os ligamentos do joelho no Grand Prix e foi operada. A jogadora só volta a jogar em 2011.

Paula torceu o tornozelo ainda no Grand Prix na partida contra os Estados Unidos. A contusão afetou os ligamentos e apesar do esforço, Paula foi cortada do mundial.

Mari e Paula estavam na equipe e jogaram a decisão do mundial de 2006 quando o Brasil perdeu para a Rússia por 3 a 2.         

Por Bruno Voloch às 18h24

Rússia de hoje é superior a de 2006

A Rússia chega pela nona vez a decisão do mundial. Números de fato assustadores e não menos impressionantes.

São 6 títulos conquistados e o último deles ganho justamente em cima do Brasil.

Mas a Rússia de hoje é mais forte do que aquela de 2006. Muito mais.

Diferente do Brasil, a Rússia não correu perigo de perder nenhuma partida nesse mundial, longe disso. Ganhou todos os jogos com muita autoridade e sem ser ameaçada. Um set ou outro perdido, nada além disso.

A Rússia tem uma ótima libero. Kryuchkova é uma grata revelação. A jogadora russa é uma das melhores desse mundial perdendo apenas para a líbero dos Estados Unidos. Sykora é a melhor do mundo e deve ganhar o prêmio após a decisão.

Pesa contra Kryuchkova a pouca experiência, mas a jogadora tem o passe muito bom e defende com a mesma eficiência.

A Rússia achou depois de muitos anos uma levantadora. Startseva assumiu a posição após a olimpíada e arrumou a cada da Rússia. É alta, tem visão de jogo, uma mão boa e sabe ler o bloqueio adversário.

Logo de cara, duas diferenças gritantes em duas posições importantes em relação a 2006.

Mas as grandes responsáveis pela força da Rússia são Sokolova, Gamova e Kosheleva. 3 craques que derrubam bola de qualquer posição. As 3 vão muito alto no ataque e são difícieis de serem bloqueadas. Das 5 melhores atacantes do mundial, 3 são da Rússia.  

Na semifinal contra os Estados Unidos, as norte-americanas fizeram somente 6 pontos de bloqueio no jogo.

Gamova está melhor do que em 2006, Sokolova não é mais a jogadora de definição, mas é muito regular e quase não erra. A força de Kosheleva é impressionante e essa atleta também é um dos diferenciais do time russo. Ganhando ou perdendo a final, Kosheleva estará entre as melhores do mundo na premiação. Godina foi esquecida.

As centrais russas, Perepelkina e a capitã Borodakova são grandes, mas não são superiores as nossas centrais.

Em 2009 a Rússia não se classificou para o Grand Prix do ano seguinte de forma proposital. Ficou escondida em boa parte do ano de 2010, mas reapareceu em grande estilo.

Forte, com enorme tradição e melhor do que em 2006.

 

        

    

Por Bruno Voloch às 18h02

Favorita contra a Rússia, seleção brasileira nunca esteve tão forte emocionalmente

Com campanhas idênticas, Rússia e Brasil decidem o mundial feminino do Japão.

10 jogos, 10 vitórias e poucos sets perdidos de ambos os lados.

A seleção brasileira talvez tenha tido um pouco mais de dificuldade pelo caminho e esbarrou na República Tcheca e no Japão. Conseguiu vitórias convincentes diante de Itália e Estados Unidos e mostrou ser um time muito forte no aspecto defensivo. Emocionalmente nossa seleção nunca esteve tão forte, nem mesmo quando ganhou a olimpíada em 2008.

Sem muitas alternativas, Zé Roberto foi corajoso e efetivou Fabíola. Deu segurança para Natália e fez de Jaqueline uma verdadeira e autêntica líbero. Não vejo nenhuma seleção do mundo com duas centrais como as nossas. Fabiana e Thaísa estão numa forma exuberante e se completam. As duas bloquearam muito nesse mundial e acho quase impossível uma delas não ganhar o prêmio individual no final do mundial.

Fabiana é mais efetiva no ataque e muitas vezes vira bola de segurança. Thaísa é menos usada, mas quando foi acionada deu conta do recado.

Nossa líbero é o ponto fraco. Podemos e tomara que a seleção ganhe esse mundial, mas Fabi esteve muito abaixo do esperado.

O que fazer diante da Rússia ?

Será um jogo totalmente diferente daquele disputado contra o Japão. A Rússia joga e deixa jogar. 

A seleção precisa sacar nas posições corretas, estar muito atenta na defesa e não errar passe. Precisamos ser mais regulares e evitarmos os erros e pontos de graça.

Dá para vencer a Rússia ?

Óbvio que sim. 

O passe delas não é bom e a Rússia não gosta de correr atrás do placar. Se nosso saque estiver num dia inspirado, teremos meio caminho andado. 

Mas então quem é o favorito para ganhar o título ?

Penso que o Brasil pelo passado recente. 

Somos os atuais campeões olímpicos, medalha de prata no Grand Prix e a Rússia não ficou nem entre as melhores da última olimpíada. Pior que isso, a Rússia não ganha um título de grande expressão faz tempo, nem na europa.

Há 4 anos, no mundial de 2006 elas nos ganharam na decisão por 3 a 2. Foi só.

Depois disso muita coisa mudou. O título olímpico nos trouxe mais força, perdemos o medo de jogar nos finais de cada set e nas horas decisivas e ganhamos maturidade. A seleção está forte emocionalmente e não se abala com tanta facilidade como no passado. 

Será um jogo aberto, mas depois de tudo que fez e mostrou nesse mundial, a seleção brasileira provou ser capaz de ganhar de qualquer seleção. Basta atuar com segurança, controlar a ansiedade e taticamente jogar de maneira correta.

Independente do resultado, a seleção deixa esse mundial de cabeça erguida e com a sensação do dever (quase) cumprido.     

  

Por Bruno Voloch às 17h35

Talento de Sheilla e postura de Fabiana deram sobrevida ao Brasil

A entrada de Sassá na equipe brasileira foi fundamental no aspecto tático. Mudamos nosso forma de jogar e ganhamos mais qualidade defensiva.

Mas seria muito injusto deixar de falar de suas jogadoras após a vitória do Brasil: Sheilla e Fabiana.

Digo sem sustos que Sheilla é hoje uma das jogadoras mais completas do mundo. Nossa oposta foi novamente a principal jogadora do Brasil na partida e terminou o jogo com 25 pontos. Curiosamente, Sheilla fez mais pontos de bloqueio do que Thaísa e Fabiana.

Por falar em bloqueio, me lembro do mais importante deles. O placar marcava 22 a 22 no quarto set e o Japão podia fazer 23 a 22. Sheilla consegue um ponto fundamental de bloqueio e evita que a pressão aumente para o nosso lado. 

Mas Sheilla foi determinante mesmo no ataque. As bolas decisivas eram todas praticamente para Sheilla que virava a maioria delas. Sheilla tem todos os golpes e não se intimida nas horas mais complicadas.

E Fabiana ?

Fabiana fez 20 pontos de ataque e apareceu bem no bloqueio. Mas me chamou atenção mesmo foi a postura da jogadora. Vibrante, atuou como verdadeira capitã de uma seleção e jamais deixou cair o astral da equipe. Fabiana puxava o grupo nos momentos adversos e cobrava de cada companheira.

Sheilla e Fabiana individualmente foram disparadas as melhores do Brasil contra o Japão. As duas deveriam ganhar bicho extra.

     

Por Bruno Voloch às 15h02

Atuação de Sassá faz lembrar Filó na Olimpíada de Atlanta em 96

Sassá assistia ao jogo como normalmente como fez durante boa parte do mundial. Acho que nem ela poderia imaginar que fosse ser decisiva na vitória contra o Japão.

Na cabeça dela e das demais reservas, entrar em quadra contra o Japão seria possível sim, mas somente para ganhar ritmo de jogo e descansar as titulares para a decisão com a Rússia.

Pensar que uma delas entraria e acabaria sendo fundamental para vencer o Japão seria demais. Mas aconteceu, por incrível que possa parecer. Nesse caso não vai nenhuma crítica direta as nossas reservas que evidente possuem qualidades para estar na seleção. A crítica é em cima das titulares que não fizeram o dever de casa direito e precisaram da ajuda do banco para vencer. E vencer do Japão.

O Japão defende o que defendeu desde que o vôlei foi inventado, até aí nenhuma novidade. As jogadoras japonesas são mais baixas e usam a mão de fora do nosso bloqueio. Quem não sabia que seria assim ?

O treinador Zé Roberto cansou de avisar.

E por falar em Zé Roberto, eis que o nosso comandante faz uma mudança que define o jogo no terceiro set. Sassá entra  na vaga de Jaqueline e roda 5 bolas importantíssimas. Sassá dá estabilidade ao time, arruma o sistema defensivo, muda a maneira do ataque brasileiro e dificulta a defesa do Japão.

Sem hipocrisia.

Cheguei a questionar a real necessidade de contar com Sassá na seleção. Sassá me parecia desmotivada e aparantemente sem função no elenco.

Por essas e outras que quando os treinadores convocam a seleção e as vezes questionamos uma ou outra peça, temos que dar crédito ao técnico. Ele convive com a jogadora 24 horas e sabe tirar das atletas o que elas possuem de melhor. Esse caso de Sassá é o melhor exemplo.

Sassá nunca foi uma unanimidade e acho que nem será mesmo após a boa atuação que teve diante do Japão.

Mas Sassá tem uma virtude inegável. Jamais deixou de acreditar nela própria e nunca perdeu a confiança de Zé Roberto.

Sassá foi peça fundamental para a seleção virar o jogo e ainda sonhar com o primeiro título mundial.

Guardadas as devidas proporções e as épocas distintas, Sassá me lembrou Filó na olimpíada de Atlanta em 1996. Os mais jovens não devem lembrar e se bobear nem conhecem Filó.

Eu lembro.

Filó foi uma ponteira razoável, pesada e de muita força. Derrotado na véspera por Cuba, a seleção brasileira jogava contra a Rússia valendo o bronze. A jogadora Filó, até então sem utilidade no grupo, entrou e virou a última bola do jogo e deu o bronze ao Brasil no quinto set.

O que Filó tinha feito até então na olimpíada ?

Rigorosamente nada. Só que se não fossepor ela, o Brasil talvez tivesse voltado de Atlanta de mãos abanando.

Sassá não virou a última bola. Fez mais que isso. Deu equilíbrio ao time e mudou o jeito de jogar da seleção. Sassá deixou sua marca e deu ao Brasil o direito de sonhar ainda com o título mundial.   

   

    

 

 

Por Bruno Voloch às 14h20

Brasil colocou o Japão no jogo e depois soube tirar

Foi mais sofrido do que deveria.

Quem diria. A seleção precisou de 5 sets para derrotar o Japão e se classificar para a decisão do mundial.

Mas o jogo só teve essa dramaticidade e o inesperado equilíbrio por culpa única e exclusiva da nossa seleção que foi passiva no começo do jogo.

Em 5 sets cometemos 35 erros. Isso mesmo, erramos 35 vezes. Demos 35 pontos para o Japão teoricamente de graça. É muita coisa.

Era jogo para 3 a 0. Pode parecer estranho afirmar que a seleção poderia ter vencido por 3 a 0 após tantas dificuldades, mas é a verdade e os números podem provar o que escrevo.

Se a seleção tivesse errado metade do que errou, somente a metade, ganharíamos de 3 a 0. Simples.

A seleção do Japão ganhou de presente um set inteiro e boa parte de um segundo set só em erros nossos.

Acho que o peso do favoritismo pesou um pouco no início do jogo e deixou a seleção 'presa' em quadra.

As jogadoras brasileiras mais uma vez mostraram controle emocional e souberam tirar do Japão o jogo que tinham dado de presente nos sets iniciais.

Está explicado também através dos números porque disse que o Japão era o adversário ideial para uma semifinal. Se tivéssemos cometido esses erros contra a Rússia, certamente estaríamos fora da decisão. 

Ainda bem que era o Japão. 

Por Bruno Voloch às 13h33

12/11/2010

Se jogar, Brasil ganha com sobras do Japão

A seleção feminina terá que se 'superar' muito para ficar de fora da final do mundial.

Como escrevi anteriormente, o Japão 'caiu do céu' como nosso adversário da semifinal. Não vejo possibilidade do Japão derrotar o Brasil e pequenas chances, quase remotas, do Brasil perder para o Japão.

Isso significa dizer que na bola, na parte técnica, a seleção teria que jogar muito mal, o Japão fazer um jogo quase perfeito e ainda assim teríamos uma partida equilibrada.

A seleção do Japão é muito inferior a nossa. Essa história de não deixar gravar o treino e tirar os profissionais do ginásio é uma grande bobagem. Ninguém vai fazer neste jogo de sábado nada de diferente do que foi feito até a última rodada. As jogadas são as mesmas, estão marcadas de ambois os lados e vai levar vantagem que estiver com a memória em dia.

Tudo é passado minuciosamente pelas comissões técnicas e cabe as jogadoras armazenar da melhor maneira. Saber onde sacar, atacar, se na paralela, diagonal, quem marcar e qual jogadora recebe mais bolas. Tudo chega 'mastigado' para as jogadoras de ambas as seleções.

O fator casa pode ser levado em consideração ?

Não. O Japão conta com o apoio da torcida, mas nosso time é experiente e não perderia o jogo por causa da torcida.

Arbitragem ?

Também não. Sinceramente nos jogos que assisti, a arbitragem não teve influência direta em nenhum resultado. Não será agora que isso vai acontecer.

Se na bola somos melhores, a arbitragem não pode influenciar, a torcida não ganha jogo e estamos bem emocionalmente falando, então não temos o que temer.

É jogar e ganhar. Basta apenas que a seleção jogue da mesma forma que atuou contra Itália, Cuba e Alemanha. Não perde. Não tem como perder.

Somos favoritos sim e vejo isso com bons olhos. As evidências, a campanha e os números nos dão esse favoritismo.

Será um jogo diferente dos demais. A escola asiática defende muito e teremos que ter paciência para derrubar as bolas. A paciência será fundamental uma vez que o Japão nunca desiste do jogo. O Japão não vai se entregar como fez a Itália naquele terceiro set. Não vai mesmo, isso podem apostar. A possibilidade de disputar um título em casa, é visto como última chance na carreira de muitas japonesas.   

O Japão joga com velocidade, é disciplinado taticamente e tem alguns destaques individuais. Saori Kimura é uma ótima atacante e define a maioria das bolas. A número 14, Ebata é uma jogadora esperta que alterna força com jeito. Inoue sabe bloquear e tem boa visão de jogo. Inoue tem precisão no saque e nossa recepção precisar estar atenta.

Sano seria a Jaqueline do Japão. Defende muito coisa e está sempre em todas as bolas. Olho nela. Mas fico com Jaqueline, com sobras.

Takeshita sobra em relação a Fabíola. Na rede o Japão leva enorme prejuízo, mas Takeshita tem muita habilidade e leitura de jogo. É um grande prazer sempre poder ver Takeshita em ação.

Estar entre os 4 melhores do mundo, já é uma grande vitória para o Japão. Espero sinceramente que elas entrem em quadra exatamente com esse tipo de pensamento.

A receita para a seleção é simples. Jogar. Se jogar, ganha com sobras e por 3 a 0.

O Brasil é melhor tecnicamente, tem mais time e ainda não perdeu de ninguém. O Brasil está forte como nunca esteve antes em termos emocionais e não sente mais pressão.

Definitivamente não tem como perder do Japão. O Brasil está na decisão do mundial.     

     

Por Bruno Voloch às 14h11

Brasil merece enfrentar o Japão

Jogar para vencer sempre foi o melhor negócio.

A ótima campanha realizada pela seleção brasileira no mundial, colocou o Japão como nosso adversário nas semifinais da competição.

Nenhuma jogadora da seleção pode e nem vai admitir, mas jogar contra o Japão é bem melhor do que enfrentar a Rússia. Conquistamos esse direito dentro de quadra, não fugimos de nenhum adversário e ganhamos com mérito dos Estados Unidos.

Assim que terminou a primeira fase, já era possível fazer algumas projeções. Rússia e Brasil dificilmente ficariam de fora das semifinais em função de terem terminado a fase inicial sem perder. A Itália, derrotada pela República Tcheca, tinha complicado naquele jogo sua situação no campeonato. O Japão dependia apenas de suas forças para estar nas semifinais e uma eventual derrota para a Rússia, como de fato aconteceu, não iria tirar das japonesas a possibildade de brigar pelo título.

A seleção sabia que para encarar o Japão, seria obrigada a derrotar os Estados Unidos e foi o que fizemos.

É claro que a semifinal entre Japão e Brasil será bem menos equilibrada do que Estados Unidos e Rússia. 

Enfrentar o Japão é  fruto de tudo que fizemos até agora no mundial.         

Por Bruno Voloch às 13h00

10/11/2010

Medíocre, Itália amarga novo fracasso e precisa mudar política

A Itália foi medíocre e ponto. A derrota para a República Tcheca custou caro ao time de Barbolini. O treinador conviveu com pedidos de dispensa, contusões, jamais chegou a ter o time 100%, mas os desfalques não servem como desculpa.   

Se fosse assim, como seria o desempenho do Brasil sem a opção de Paula Pequeno no banco e principalmente Mari ?

A Itália esteve irregular e não foi constante. Tem uma bela levantadora, Lo Bianco, ótimas jogadoras como Picci, Gioli, Del Core e Ortolani, mas não conseguiu ser um time. Faltou o que temos de sobra na seleção brasileira. Jogo coletivo.

A Itália volta em crise e com uma resultado decepcionante. Mudanças precisam acontecer para que a seleção italiana volte a ser competitiva. As italianas já somas dois fracassos seguidos em termos de olimpíada e mundial e se limita somente a brigar pelos títulos europeus. É pouco, muito pouco se levarmos em conta a capacidade individual de cada uma dessas jogadoras.

A vaidade precisa ser deixada de lado e as 'donas' do time aceitarem com naturalidade a convocação de Costagrande, por exemplo. Com atitudes individualistas desde os tempos de Aguero, a Itália 'cavou' seu destino. 

A derrota humilhante para o Brasil deve servir de exemplo e talvez seja o momento para mudanças na comissão. Sempre se diz que a troca de treinador deve acontecer após o ciclo olímpico, mas a Itália não pode mais esperar.  

O vôlei mundial precisa da Itália.

 

Por Bruno Voloch às 10h55

Em dia inspiradíssimo de Carcaces, Cuba faz justiça e deixa esperança para Londres

O mundial masculino segue levando lições, uma atrás da outra.

Contra a Itália, Cuba foi profissional, deixou toda a rivalidade com os Estados Unidos de lado e mesmo eliminada do mundial ganhou por 3 a 2.

Vi na partida entre cubanas e italianas, a maior e mais completa atuação individual de uma jogadoras nesse mundial. Opon Carcaces jogou uma barbaridade, atacou em diversas posições, não se intimidou com o bloqueio das italianas e marcou 34 pontos. Aproveitamento sem igual na competição e que credencia Carcaces a estar entre as melhores do campeonato. Se acontecer, será merecido.

Sanchez também jogou muito bem no meio e merece elogios.

Cuba jogou uma de suas melhores partidas no mundial e deixa boas perspecitvas para a olimpíada de Londres em 2012. É um time novo que está ainda se adaptando a um estilo tático diferente mas que deu mostras significativas de que em mais dois anos poderá dar trabalho as principais equipes do mundo. Digo mais. Cuba pode voltar a ser uma seleção 'grande' e sonhar com conquistas.

Arrumando o passe e com outra atacante de força do nível de Carcaces, Cuba será uma das boas surpresas de Londres em 2012. O trabalho de renovação é tradicional e sempre existiu em Cuba. É bem provável que outras Carcaces apareçam até lá.

Por Bruno Voloch às 10h42

Seleção feminina dá lição de ética e moral na seleção masculina

Confesso que estava curioso para ver como seria o desempenho da seleção feminina diante dos Estados Unidos.

O motivo era simples. A seleção entrou em quadra classificada e precisando fazer apenas alguns pontinhos para garantir o primeiro lugar do grupo e pegar o Japão nas semifinais.

Há pouco mais de um mês na Itália, tivemos um mundial marcado por falcatruas e armações de resultados, incluindo evidentemente a seleção brasileira.

O regulamento do mundial feminino pode não ser dos melhores e talvez não seja mesmo.

O Brasil chegou para a partida contra os Estados Unidos tendo o direito de poupar algumas titulares uma vez que a primeira colocação não estava mais ameaçada. Lógico que se optasse em escalar um time de reservas, o risco de perder a invencibilidade seria maior, mas Zé Roberto estaria no direito dele.

Deu prazer de ver a seleção feminina jogando para ganhar após aquela situação humilhante que a masculina nos fez passar na Itália. Como é bom para o esporte.

Zé Roberto não teve medo, foi profissional e jogou para vencer mesmo com o primeiro lugar garantindo. A seleção feminina não mudou sua postura nem mesmo quando fez o número de pontos considerados suficientes para não perder a liderança do grupo.

As mudanças táticas aconteceram em função das dificuldades impostas pelo adversário e não pelo regulamento. Que alívio.

Nenhuma jogadora pensou em se poupar e todas se doaram ao máximo. Primeiro em respeito a camisa que vestem e ao país que representam e depois pelo público que estava no ginásio. As substituições foram feitas para melhorar o rendimento da equipe em quadra.  

Na verdade não deveria aqui estar enaltecendo esse tipo de comportamento que penso ser obrigação, porém depois do que vimos no mundial masculino, a postura da seleção feminina é digna sim de muitos elogios.

A seleção de Zé Roberto está na semifinal e tem tudo para ser campeã mundial. Pode até perder em quadra uma eventual decisão com a Rússia no domingo, mas essa seleção nos mostrou que a ética ainda sobrevive e nem tudo está perdido no esporte. 

Enquanto a seleção masculina deveria estar saboreando o tricampeonato mundial, o que se vê na mídia ainda, são os envolvidos procurando justificativas desesperadas pelo papelão no 'dia da vergonha' contra a Bulgária. Por mais que tentem, não vão encontrar Bernardinho.

A seleção feminina deu uma lição de como se faz esporte contra os Estados Unidos. Jogou para ganhar, como deve ser, sem se preocupar em escolher adversário. 

Obrigado Zé Roberto.  

   

Por Bruno Voloch às 09h10

08/11/2010

Completa ou não, seleção brasileira não pode ter trabalho contra a Alemanha

A seleção brasileira fez partidas brilhantes nesse mundial como na vitória contra a Itália, passou aperto diante de Cuba e venceu com sobras Holanda e Tailândia.

Verdade que no início andou dando umas derrapadas, mas como era início de competição, o rendimento ruim passou desapercebido.

Contra a Alemanha porém, a seleção terá uma verdadeira decisão pela frente. Ganhando, estará nas semifinais. Se vencer por 3 a 0 e com uma boa diferença de pontos, garante a primeira colocação do grupo.

O jogo contra os Estados Unidos na última rodada, seria um 'amistoso' de luxo para nós.

Zé Roberto precisou poupar 3 de suas principais jogadoras do último treino antes do jogo contra as alemãs. Thaísa, Jaqueline e Sheilla não treinaram, mas segundo as informações, devem estar em quadra normalmente.

Se essas jogadoras não estão mesmo 100% não seria a hora de poupá-las ?

Por um lado sim, afinal a Alemanha não é isso tudo e deve exigir pouco do Brasil. Adenízia, Sassá e Joyce poderiam jogar e a seleção ganharia da mesma forma como vai vencer com as 3 em quadra.

Mas quem não quer estar em quadra numa hora como essas ?

Difícil dizer para uma jogadora que ela será poupada perto de uma semifinal de mundial. Por isso, é mais fácil deixar de treinar e jogar. 

Temos uma comissão técnica experiente que não arriscaria escalar qualquer uma das 3 se elas tivessem o risco de perder o restante do mundial. Isso não aconteceria, ainda mais tratando-se da Alemanha e com nossa classificação muito bem encaminhada.

O mundial é desgastate e poupar uma ou outra jogadora é natural, tão natural como sentir algum desconforto muscular, casos de Jaqueline e Sheilla. 

Com Sheilla, Joycinha, Jaqueline ou Sassá, a seleção não pode ter dificuldades para vencer a Alemanha.

A equipe alemã é muito inferior tecnicamente e joga em função de duas jogadoras: Kozuch e Fürst. Heike Beier é uma boa jogadora, regular, mas não assusta. É um time alto, que saca bem, mas extremamente lento.

A Alemanha perdeu uma parcial de 25/8 para a Itália que foi igualmente arrasada pelo Brasil. Esses números explicam melhor do que qualquer detalhe técnico ou tático a diferença entre Brasil e Alemanha.    

Completa ou não, a seleção não pode pensar em outro resultado que não seja um novo 3 a 0. 

Por Bruno Voloch às 08h18

3 'amistosos' e 3 'decisões' marcam rodada do mundial

A terceira rodada da segunda fase do mundial feminino terá mais 8 partidas. 3 delas são simples amistosos e outras 3 autênticas decisões.

Peru e Turquia abrem a rodada no grupo E e vão apenas cumprir tabela. Com 5 e 7 pontos respectivamente, as suas seleções já estão eliminadas da competição. A Turquia com 7 poderia até sonhar, mas a derrota diante do Japão, tirou a Turquia do mundial.

O outro amistoso do grupo será entre as eliminadas Polônia e China. Ambas as seleções perderam na última rodada e deram adeus ao campenato.

Sérvia e Rússia será para valer. A Rússia pode garantir de vez a classificação para as semifinais se vencer o sétimo jogo seguido no mundial. Chegaria aos 12 pontos e garantiria a primeira colocação. A Sérvia com 8, faz o joga da vida. Se ganhar, mantém as chances. Perdendo, se junta as seleções do Peru, da Turquia, Polônia e China. 

Japão e Coreia fecham a rodada. Deve ser o confronto mais equilibrado da rodada, pelo menos é o que espera. O Japão joga sua classificação para as semifinais. Se vencer, assim como a Rússia, estará nas semifinais. Se der Coreia, a briga fica para a última rodada e o Japão pode se complicar. As donas da casa enfrentarão a Rússia e a Coreia, que terá a mesma pontuação, pega a Sérvia. A segunda vaga ficaria entre Japão e Coreia e as coreanas teriam um caminho mais tranquilo que o Japão . 

Pelo que vimos até agora nesse mundial, o Japão pode ter dificuldades contra a Coreia. É um clássico, marcado pela rivalidade e a primeira experiência nesse sentido não foi boa para o Japão. As donas da casa mesmo com o apoio da torcida perderam de 3 a 1 para a fraca China. Japão e Coreia é imperdível e imprevisível.

Se for do interesse da Rússia terminar em primeiro, ganha com sobras da Sérvia.

República Tcheca e Cuba é o único jogo que não vale rigorosamente nada pelo grupo F. Terceiro amistoso do dia no mundial. 

Brasil e Alemanha abrem a rodada.

Holanda e Estados Unidos jogam em seguida. As norte-americanas são favoritas e precisam vencer após a derrota inesperada para a Itália. A Holanda é uma seleção imprevisível. Faz jogo duro com os grande e entrega para os pequenos. A Holanda jogará sem responsabilidade e os Estados Unidos precisam ter atenção para não serem surpreendidos. Em condições normais, dá Estados Unidos, mas é um jogo perigoso. 

Itália e Tailândia fazem o terceiro jogo. O que se pode esperar da Itália ?

Um 3 a 0 arrasador, especialmente depois do que fez diante dos Estados Unidos. Mas a Itália está longe de ser uma seleção confiável. A Tailândia não tem nada a perder e ganhou da Holanda que fez jogo duro com a Itália. Não vejo a Itália assim tão favorita, mas com certeza está num momento iluminado e aparantemente recuperou a confiança perdida.

          

Por Bruno Voloch às 07h47

07/11/2010

Derrota dos Estados Unidos pode criar uma falsa ilusão ao Brasil.

Muita gente comemorou a derrota dos Estados Unidos para a Itália.

Mas devemos ter calma nessa hora e analisar com frieza os números do campeonato.

Existem os dois lados da moeda, como se diz na gíria. A derrota dos Estados Unidos nos colocou na liderança isolada do grupo F com 10 pontos e com 1 ponto de vantagem sobre os Estados Unidos.

Ganhando da Alemanha na próxima partida, a seleção se classifica para jogar as semifinais da competição. Porém, mesmo se os Estados Unidos tivessem ganho da Itália, a gente conseguiria também assegurar uma das duas vagas derrotando a Alemanha. Aliás, a vaga seria mais tranquila porque a Itália estaria eliminada.

Portanto, a derrota norte-americana não trouxe tantos benefícios assim como muitos pensam. Vencendo a Alemanha, a seleção vai ficar muito perto da primeiro colocação e aí vem o mais importante. Ganhando delas, evitamos de cruzar com a Rússia na semifinal e provavelmente pegaremos a fraca seleção do Japão. Seria de fato uma semifinal dos sonhos e que para nós, iria cair do céu.

A derrota dos Estados Unidos foi importante porque deixa o Brasil com chances muitos maiores de terminar como primeiro. Esse foi o ponto fundamental na derrota delas. Nesse caso concordo.

Com a derrota para a Itália, como muitos gostaram, as norte-americanas serão obrigadas, isso mesmo, obrigadas a vencer o Brasil na última rodada. Se ganharem da Holanda e a Itália bater a Tailândia, os Estados Unidos ficarão somente 1 ponto na frente da Itália e a decisão ficará para a quarta-feira.

Para não depender de ninguém, os Estados Unidos vão ter que derrotar o Brasil. Nesse caso, mesmo que a Itália derrote a seleção de Cuba, as norte-americanas ficam com a segunda vaga no mínimo. Perdendo para o Brasil, os Estados Unidos podem ser eliminados em caso de vitória da Itália. A decisão seria no point average.

Brasil e Estados Unidos jogam antes de Itália e Cuba, ou seja, as norte-americanas não poderão brincar com a sorte em hipótese alguma.

Será realmente que essa derrota dos Estados Unidos foi tão interessante assim ?

A derrota dos Estados Unidos não pode e não deve criar uma falsa ilusão ao Brasil.

 

Por Bruno Voloch às 16h48

Perder um set fez bem ao Brasil. 3 a 1 foi justo

Pode não ter sido a vitória dos sonhos, mas o importante foram os dois pontos e a liderança do grupo.

A seleção brasileira me pareceu um pouco assustada nos primeiros minutos da partida contra Cuba. A recepção esteve ruim e erramos demais nos outros fundamentos. A vitória cubana por 25 a 23 acabou sendo justa e merecida.

A partir do segundo set com os nervos devidamento no lugar, a seleção jogou mais solta e o jogo fluiu naturalmente. Ganhamos com relativa tranquilidade os 3 sets seguintes e não fomos mais ameaçados.

Concordo plenamente com a análise feita por Zé Roberto. Foi interessante e importante ver a seleção brasileira passar por dificuldades e se virar em quadra para reverter a situação. Não houve desespero mesmo após as cubanas abrirem 1 a 0 no placar.

Pode até ser um bom sinal ter ganho os últimos jogos com relativa facilidade, mas perder um set e precisar virar a partida vai nos trazer ensinamentos e ainda mais confiança. Fora isso, o ritmo de jogo de uma partida de 3 a 0 é completamente diferente de quando se ganha por 3 a 1 ou 3 a 2. A derrota no primeiro set tenho certeza que fez um bem enorme para a seleção.

Fabíola tem toda razão. Foi um resultado conseguido na base da superação e no jogo coletivo.

Fabiana e Thaísa fizeram ótima partida e juntas marcaram quase 30 pontos. Natália, muito marcada, não apareceu tanto, mas fez defesas importantes.

O jogo coletivo do Brasil foi tão impressionante que Sheilla fez mais pontos de bloqueio que Fabiana e Thaísa. A capitã brasileira em compensação marcou mais pontos de ataque que a oposta Sheilla. 14 contra 12.

Como pode ?

Nesse caso, acho que o mérito é da levantadora Fabíola que enxergou o jogo e soube aprender com a derrota no primeiro set.  Fabíola usou e abusou de nossas centrais e foi justamente pelo meio que fizemos nossos melhores ataques na partida. Em determinadas situações, Fabiana e Thaísa eram nossas atacantes de segurança.

Jaqueline manteve o bom nível de sempre no ataque e foi novamente excelente no passe e na defesa. Jogou novamente de líbero e atacante.

Resumindo, foi bom saber e constatar que ninguém 'sumiu' após a derrota no primeiro set e todas se apresentaram para jogar quando foi preciso.        

 

       

 

Por Bruno Voloch às 16h21

Sobre o autor

Carioca, tem mais de 20 anos de profissão. Iniciou a carreira na extinta TV Manchete em 1988. Foram 6 anos até ser contrato pela Band Rio em 1994. No ano seguinte estava no Sportv/Globo onde foi idealizador e apresentador do programa Supervolley. Atuou como repórter de 1995 até 2003, e participou da cobertura dos campeonatos brasileiros de 1995 a 2003 em jogos ao vivo. Em 2004 se transferiu para o Bandsports, onde criou e comandou os programas "Roda de vôlei "e Linha de 3". Foi apresentador e comentarista de vôlei e basquete do canal. Em 2008 acumulou a função de diretor de jornalismo até setembro de 2009. De 2007 até 2009 foi colunista da rádio Bandnews FM do Rio e trabalhou nos jornais Lance e Jornal dos Sports. Participou da cobertura de 3 Copas do Mundo, 3 Olimpíadas e das últimas 3 últimas edições do Pan. Hoje é colunista do Jornal do Brasil e comenta futebol para a Bandnews FM/Rio de Janeiro e rádio Terê FM/Rio de Janeiro. É especialista em vôlei.

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