Blog do Bruno Voloch

20/11/2010

Na conquista do Vôlei Futuro ressurge o 'fantasma' de Ricardinho

O Vôlei Futuro sobrou e ganhou até com certa facilidade a decisão no ginásio do Sesi.

Confesso que esperava mais equilíbrio no terceiro jogo, mas o 3 a 0 foi absolutamente justo e merecido. O título está muito bem entregue.

Não serve como desculpa e não pode desmerecer a conquista do Vôlei Futuro, mas Murilo está visivelmente longe de suas condições físicas ideais e não rendeu o que se esperava. Me parece ter jogado na base do sacrifício, mas agiu corretamente. Não poderia deixar de jogar justamente na decisão.

Os dois primeiros sets foram inteiramente dominados pelo Vôlei Futuro. O Sesi até que esboçou uma reação no terceiro set, mas na reta final o time de Araçatuba não errou mais e equilibrou as ações. A vitória por 26/24 garantiu ao Vôlei Futuro o primeiro título paulista de sua história.

Ricardinho foi o maestro do time. O levantador estava muito inspirado e abusou da velocidade nos levantamentos. Inteligente, usou muito Vissoto e os centrais, especialmente Lucão. 

Na metade do segundo set já pressentindo o título, os torcedores de Araçatuba começaram a gritar 'seleção' no ginásio. O 'fantasma' de Ricardinho voltou mais cedo do que se esperava.

Que cara iluminado. Logo no primeiro campeonato que disputa após retornar ao Brasil, Ricardinho é campeão. Que falta de sorte para Bernardinho.

A superliga é outro campeonato e o torneio será muito mais equilibrado que o paulista.

Mas Ricardinho voltou e com tudo que tem direito. 35 anos, esbanjando talento, vigor físico e começando a tirar o sono de muito treinador. É claro que jamais vai admitir abertamente, mas esse primeiro título é uma espécie de primeira resposta.  

Não podemos no iludir e é sempre bom lembrar que o próprio Ricardinho disse que seu ciclo na seleção acabou. Que pena. Mas o 'fantasminha' vai ficar rondando a cabeça de Bernardinho e de muita gente até a superliga terminar.

Que belo cartão de visitas.        

Por Bruno Voloch às 17h09

19/11/2010

Em entrevista na Rússia, Merkulova diz que faltou fair play as brasileiras

A decisão do mundial entre Brasil e Rússia continuando dominando o noticiário do vôlei.

Em entrevista ao jornal russo Pravda, a jogadora Merkulova disse que faltou fair play as atletas brasileiras após a derrota do último domingo. Segundo a edição do Pravda, Merkulova ficou decepcionada com as jogadoras do Brasil que fugiram do ritual tradicional depois do encerramento da partida.

Normalmente as jogadoras se cumprimentam na rede enfileiradas, mas dessa vez não aconteceu o cumprimento de ambas as partes.

" Esse ano foi um encontro um pouco diferente. Em 2006 vencemos o mundial após 16 anos. Todo era um mar de alegria naquela ocasião, mas era tudo só para nós. Esse ano já esperávamos pelo título, mas ao contrário, algo inesperado aconteceu quando ganhamos. Ficamos tristes que após a partida elas sequer foram nos cumprimentar na rede, nós não nos enfileiramos. Nós fomos até a rede, como de usual no vôlei, mas elas simplesmente deixaram a quadra frustadas e choarando. Acho que talvez elas estavam com raiva de nós pelo último mundial e queriam usar esse campeonato para se vingar. Mas não funcionou ".

Yulia Merkulova não atuou na decisão. A jogadora de 26 anos e mais de 50 jogos com a camisa russa, esteve em quadra apenas em algumas partidas do mundial, mas é uma das mais experientes do grupo. Merkulova joga pelo Dínamo Krasnodar.

Por Bruno Voloch às 13h54

Discussão hilária de 'Davi e Golias' rouba a cena em Araçatuba

Saque.

Esse foi o fundamento que desequilibrou o jogo a favor do Vôlei Futuro de Araçatuba.

Concentrados ao extremo, os jogadores do time de Araçatuba conseguiram manter o nível de saque os 3 sets e o Sesi não reagiu. Sem alternativas, as bolas eram quase todas levantadas para as pontas o que facilitou o bloqueio de Araçatuba.

Leandro Vissoto teve grande atuação e o cubano Inzaga fez ótima partida. Michael no meio também merece elogios.

Lamentável foi a confusão após a partida. A reação de Serginho não foi normal. Algo de muito sério deve ter acontecido mesmo no primeiro jogo para que Sergnho tenha tomado essa decisão de não cumprimentar Vissoto na rede.

Serginho é experiente e já deve ter passado por esse tipo de situação na carreira.

Cena hilária mesmo foi aquela do jogador Daniel colocando o dedo na cara de Sidão. O que foi aquilo ?

Parecia luta de Davi e Golias. Só rindo mesmo. Daniel teve coragem acima de tudo e parecia mesmo disposto a encarar o central do Sesi. Sidão preciso apenas empurrar o atleta do Vôlei Futuro com o cotovelo. Muito engraçado.

Fato é que o clima para esse terceiro jogo é pesado e acho que a equipe que estiver mais equilibrada emocionalmente vencerá o jogo. Não acredito que o time do Sesi volta a jogar de forma tão apática como aconteceu em Araçatuba. Diante da torcida e defendendo o título, o Sesi tem a obrigação de ter uma postura mais agressiva e dar uma satisfação para os torcedores.

As provocações são normais quando falamos em final de campeonato e todo o convívio de seleção é deixado de lado. Vai ganhar que tiver a cabeça no lugar e procurar jogar vôlei. Tecnicamente as duas equipes são muito fortes, mas acho que o Vôlei Futuro saiu muito fortalecido após a segunda partida.

Se tivesse que apostar, jogaria minhas fichas no Vôlei Futuro.     

Por Bruno Voloch às 09h34

18/11/2010

Jogadoras da Rússia são recebidas pelo Presidente e dedicam título a Safranova

O bicampeonato mundial continua rendendo homenagens as jogadoras da Rússia.

As 14 atletas que estiveram no Japão foram recebidas pelo Presidente do país Dmitry Medvdev. Na solenidade, Medvdev parabenizou o grupo de jogadoras, agradeçou todo empenho e dedicação durante a competiçao e disse que o país inteiro sente orgulho pela maneira como conquistaram o mundial.

A capitã Borodakova falou em nome das jogadoras e disse que a Rússia era apontada como favorita ao título mas que a conquista foi muito difícil. Borodakova explicou que a Rússia atuou nesse mundial com uma equipe renovada e que mesmo assim as jogadoras conseguiram suportar a pressão. Ela disse que a comissão técnica fez um trabalho brilhante e que o apoio recebido dos familiares e torcedores foi fundamental na conquista.

Gamova, eleita MVP do mundial, se emocionou e dedicou o tíitulo a Safranova. Natália Safranova sofreu um derrame cerebral ano passado e não pode mais praticar esporte. Mesmo debilitada, Safranova acompanhou todos os jogos da Rússia pela televisão. Ela esteve no elenco que ganhou o mundial de 2006 também no Japão.

Gamova disse que Safranova nunca será esquecida e que a vitória dela contra a doença é mais importante do que o título ganho no último domingo.   

        

Por Bruno Voloch às 10h25

17/11/2010

Medalhista olímpica, Érika diz que "seleção não pode ficar com trauma após derrota"

Prestes a estrear pelo Galatasaray na Turquia, a jogadora Érika conversou com o blog com exclusividade. Érika falou sobre o desempenho da seleção no mundial, da decisão com a Rússia, o suposto erro da arbitragem, comentou a atuação das levantadoras e deixou claro que o vice-campeonato precisa ser valorizado. Érika elogiou a atuação de Gamova, mas disse que a Rússia mereceu ganhar o mundial e não acredita em traumas para o futuro.

O que você achou da decisão ?

Achei um jogo atípico e a Rússia comandou a maior parte da partida. Quando perdeu os sets, foi sempre apertado e quando ganhou, foi sempre com enorme folga. A Rússia fechou os sets quando quis, foi melhor e mereceu ganhar.

A Gamova realmente ganhou o jogo sozinha como disseram as jogadoras da seleção ?

Não. A Gamova fez um partidaço e marcar 35 pontos e mais de um set e meio. Mas a Rússia toda jogou bem. A Sokolova passou, atacaou, defendeu e foi o equilíbrio delas. A levantadora jogou certinho e sempre usou as melhores opções. O vôlei é um esporte de equipe, mas a Gamova com certeza ajudou muito na final.

O suposto erro da arbitragem interferiou no resultado do jogo ?  

É difícil dizer isso agora, mas não foi legal. Porém, afirmar que se ele não tivesse errado o Brasil teria ganho, seria desmerecer a vitória da Rússia e o grande campeonato que elas fizeram.

Mari e Paula fizeram falta no mundial ?

São duas ótimas jogadoras, mas as que estiveram no mundial também foram muito bem. Jaqueline e Natália são do mesmo nível de Mari e Paula.

O Brasil ficou devendo em algum fundamento ?

Não sei. Final é final. Fizemos um belo mundial, mas na decisão não jogamos bem.

Você acha que a seleção precisa de mudanças para 2011 ?

Quem deve saber disso é o treinador. A responsabilidade é toda dele e a escolha das atletas também ?

O que falar do desempenho da levantadora Fabíola ?

A Fabíola me surpreendeu no mundial. Vi essa menina começando a jogar e mudando de posição até virar levantadora. A disposição da Fabíola é impressionante e talvez por isso ela tenha chegado tão longe. Ela precisa de mais experiência internacional e substituir a Fofão é complicado demais.

E a Dani Lins ?

A Dani tem potencial, mas é inconstante. É muito jovem ainda e acredito que com o passar do anos a Dani possa evoluir. Ela tem uma força no levantamento fora do comum.

As duas devem ser mantidas ?

Isso também é um problema do Zé Roberto. Temos boas levantadoras no Brasil com certeza. Posso citar a Carol que não teve mais chance depois da olimpíada, a Ana Tiemi e a Ana Maria. Ele precisa saber escolher.

E a idéia de formam uma seleção B agrada você ?

Sim. Nos campeonatos de nível técnico inferior ele leva a seleção B. Isso dá bagagem para as meninas mais jovens e dá um descanso nas titulares.

E o nível desse mundial foi bom ?

Achei melhor do que o de 2006. Algumas seleções como Japão, Alemanha, Turquia e a prórpia Rússia cresceram muito. A Itália me decepcionou e caiu bastante em relação aos anos anteriores.

Você acha que essa derrota pode criar um novo trauma para a seleção ?

Acho e espero que não. A seleção não pode ficar com nenhum trauma. Sei que é muito chato perder dois mundiais seguidos para a mesma seleção, mas fizemos o nosso máximo e é preciso saber valorizar a conquista de uma medalha de prata. A gente precisa saber como jogar com a pressão de uma seleção campeã olímpica. Se criou uma 'obrigação' de ganhar tudo e não é bem assim. Segundo do mundo é muito bom.     

                          

 

Por Bruno Voloch às 14h44

16/11/2010

Recepção digna e treinador consciente na chegada da seleção

A seleção teve uma recepção das mais dignas em São Paulo.

Fico feliz e tomara que a atitude desses torcedores sirva de exemplo para futuras competições e outros esportes.

Finalmente soubemos valorizar a medalha de prata e o segundo lugar. Ainda estamos muito distantes de mudar a cultura do povo brasileiro de que segundo e último é a mesma coisa, mas o primeiro passo foi dado.

As jogadoras foram recebidas com muito carinho e tratadas como autênticas campeãs.

Kim Kun-Tae foi mais uma vez lembrado por Zé Roberto e Jaqueline. Volto a dizer que não acho que o árbitro tenha tido influência direta no resultado do quinto set. A questão do chip na bola parece interessante, mas acho improvável que a FIVB aceite a sugestão do Brasil. Vai continuar tudo da mesma maneira.

A longa viagem fez bem a cabeça de nosso treinador. Como escrevi após a derrota na decisão, a Rússia não foi só Gamova e não é só Gamova. A Rússia tem uma belíssima equipe e as demais jogadoras tiveram participação decisiva no resultado do jogo.

Vi as meninas da seleção e o presidente Ary Graça afirmarem que Gamova ganhou sozinha. Estão errrados.

Foi ótimo ouvir do treinador da seleção que Sokolova foi a jogadora mais importante na campanha da Rússia e também em boa parte da final. 

Gamova desequilibrou, virou quase todas as bolas no quinto set, mas repito, não ganhou sozinha. Obrigado pela ajuda, Zé Roberto.

Passar em branco o ano de 2010 não é sinal de que as coisas estão erradas. Mas não dá para fugir dos problemas que temos que corrigir e um deles é nossa recepção.

O primeiro passo é a troca de líbero. Sai Fabi e entra Camila Brait. A própria Fabi, ainda no Japão, falou em tom de despedida. 

O segundo é investir na posição de levantadora. Fabíola pode até ter potencial, mas ficou claro que não resolve. 

          

Por Bruno Voloch às 13h13

15/11/2010

Seleção precisa de nova líbero e ainda busca levantadora ideal

É hora de 'fazer as contas'.

Terminado o mundial e o ano de 2010 para a seleção feminina, chegou o momento de 'juntar os cacos' e pensar em 2011.

A seleção não ganhou nenhum torneio de grande porte no ano o que não deixa de ser uma preocupação. Passamos 2010 em branco, ficando com a medalha de prata no Grand Prix e repetindo a dose no mundial. Derrotas sofridas e sempre no quinto set para Estados Unidos e Rússia.

A medalha de prata no mundial deveria ser mais valorizada, mas a nossa filosofia de pensamento no Brasil não permite que a gente possa comemorar a boa colocação no mundial. Infelizmente. Cultura errada e ultrapassada.

O desempenho foi realmente abaixo do esperado ainda mais quando se trata da seleção campeã olímpica. É um peso a mais que esse grupo terá que carregar até Londres 2012. 

Ficou claro no ano de 2010 que temos alguns ajustes para fazer e não poderia ser diferente. O fundamento passe precisa ser mais trabalhado pois nossa recepção deixou a desejar em vários jogos no mundial.

A troca de líbero é o primeiro passo. Fabi tem serviços prestados, mas deu o que tinha que dar. Foi instável nesse mundial e longe de ser a Fabi de Pequim 2008. A comissão técnica tem por obrigação enxergar a decadência de Fabi e abrir definitivamente as portas para Camila Brait jogar. 2011 é o ano ideal para isso, para dar experiência a Camila e usar a jogadora em todas as competições, inclusive a Copa do Mundo do Japão.

Camila é mais jovem, tem a confiança das jogadoras, é querida pelo grupo e muito habilidosa. A comissão técnica do Brasil não pode e nem deve se apegar ao passado ou amizade. Precisa pensar no melhor para a seleção e o melhor para a seleção nesse caso é trocar de líbero.

A questão da levantadora é mais séria. Dani Lins me parece desmotivada na seleção. Perdeu a posição para Fabíola e na superliga terá que jogar muito bem para voltar a seleção brasileira em 2011. Acontece que Zé Roberto tem poucas opções no 'mercado' e não pode abrir mão de Dani sem ter Fabíola pronta, algo que está distante de acontecer.

Fabíola fez um mundial razoável apenas. Ganhou na quadra a vaga de Dani, mas esteve longe, muito longe do ideal. Fabíola tem lá suas qualidades mas não convence como titular de uma seleção brasileira. Ela é corajosa, tem personalidade, boa de grupo, sabe se mexer, vai sempre de toque nas bolas, mas não inspira confiança. Foi só o primeiro torneio dela como titular e logo um mundial, mas Fabíola erra demais. Erra quando não pode.

Fabíola é uma boa levantadora, mas não é aquela que a gente possa ficar seguro em relação a posição. Não mesmo. A jogadora não comprometeu e fez o que estava a seu alcançe, dentro de suas qualidades técniccas. Entendo que Zé não tinha e talvez ainda não tenha alternativas, mas precisa procurar urgente.

Fabíola evoluiu, até me surpreendeu e com boa vontade pode fazer parte do grupo das 12 ou 14 de um mundial. O problema é que Fabíola não consegue jogar num nível técnicamente à altura de Fofão e Fernanda. 

Devo deixar claro que o texto em relação a Fabíola e Fabi seria rigorosamente o mesmo se o Brasil tivesse sido campeão. Mas a derrota talvez nos chame mais a atenção.

Zé tem que voltar a pensar em Ana Tiemi, talvez em Roberta, Ana Maria, Camila, conversar com Carol ou quem sabe ver as condições físicas de Fernandinha. O buraco segue aberto e a falta de títulos em 2010 talvez siga de alerta para Londres 2012.  

Por Bruno Voloch às 10h26

14/11/2010

Bola fora de Ary Graça no pódio em Tóquio

Foi comovente ver as meninas do Brasil no pódio. Muito abaladas e emocionadas ao extremo, as jogadoras ainda pareciam perplexas com a derrota e o segundo vice consecutivo. Num gesto de grandeza, tiveram forças ainda para lembrar de Mari e Paula Pequeno.

Entre beijos e abraços durante a cerimônia de premiação, aparece Ary Graça, presidente da CBV. Ele que dias antes garantia ter a fórmula para derrotar as russas. Ary disse que 'bastava' marcar as ponterias e a que a Rússia só tinha uma jogada, que era bola alta nas pontas.

A idéia inicial era somente motivar o grupo de jogadoras na palestra passando um pouco da vivência no esporte e experiência de vida. Ary se entusiasmou e deu uma de treinador também.    

Ary disse que estava em Tóquio para evitar também que fatores extra-quadra pudessem prejudicar a seleção nas semifinais e na decisão. Eis que o primeiro árbitro Kim Kun-Tae comete um erro no quinto e decisivo set. Coincidência ou não, Zé Roberto declara logo após o jogo que não gostaria que Tae tivesse apitado a decisão.

Ary não foi informado ?

Não poderia ter exigido um outro árbitro ?

Na última semana de mundial, o presidente da FIVB já havia declarado que não seria interessante para o mundo ver o Brasil campeão também no feminino.

Briga política ?

Talvez. Ary nunca escondeu de ninguém que sonha um dia em ocupar um cargo ainda mais forte dentro da entidade. Hoje, Ary é um dos vice executivos da FIVB ao lado de mais 10 homens de diferentes países.

Seu grande desafeto, chama-se Cristóbal Marte da República Dominicana. Cristíobal foi visto na festa de premiação dando as medalhas de bronze para as japonesas. O dirigente não escondia uma satisfação pessoal e um sorriso no rosto com a derrota do Brasil.      

Lembro ainda que Ary já havia sido infeliz antes de embarcar, quando disse abertamente em entrevista que não achava nada anormal ficar tanto tempo como presidente de uma federação.

O trabalho por ele desenvolvido na CBV é belíssimo. Nenhuma outra confederação tem um centro de treinamento como o nosso de Saquarema. As seleções adultas são as líderes do ranking mundial e nossas categorias de base são fortíssimas. Estrutura espetacular.

Mas Ary deveria pensar um pouco antes de dar certas declarações. Ainda na festa de premiação, Ary deixa escapar: 'Em 2012 a gente ganha'.

Um pouco de humildade não faz mal a ninguém, nobre Ary. Na vida e no esporte é preciso saber reconhecer os méritos do adversário. 

Ary não soube e foi além. Caiu na asneria de dizer que a Rússia só tem uma jogadora, no caso Gamova. Discurso esse usado por parte parte das jogadoras mas que não representa a realidade. A Rússia é uma boa seleção e ninguém ganha duas vezes seguidas o mundial por acaso.

O presidente terminou dando finalmente uma dentro. Criticou nosso passe e disse que esse fundamento precisa ser mais treinado para as futuras competições. 

Mas no geral, Ary 'atacou' mais bolas fora do que dentro.        

Por Bruno Voloch às 22h36

Kim Kun-Tae não pode ser considerado o vilão da história

Será mesmo que Kim Kun-Tae foi o responsável pela derrota do Brasil no mundial ?

Acho que não.

Kim Kun-Tae errou ?

Sim, também acho que a bola de Sheilla foi dentro. O Brasil abriria 8 a 6 e ficaria com 2 pontos de vantagem.

Mas quem pode garantir que a seleção ganharia a partida ?

Ninguém ?

A Rússia desistiria da partida ?

Óbvio que não. Gamova e Sokolova continuaríam dando na bola e buscando espaço entre o bloqueio brasileiro.

Kim Kun-Tae estava naquele fatídico jogo da olimpíada de Atenas em 2004 quando as russas viraram a partida após estarem perdendo por 24 a 19. Era ele também o árbitro principal da decisão do mundial em 2006.

Em algumas dessas ocasiões Kim Kun-Tae prejudicou o Brasil ?

Não.

Entendo e reconheço a indignação de Zé Roberto. Supersticioso como poucos, a coincidência não deve ter agradado ao treinador. Mas existe uma grande diferença entre não gostar do árbitro e achar que ele prejudicou premeditadamente a seleção.

Não concordo.

Erros de arbitragem vão sempre acontecer. Pena para nós que tenha sido contra o Brasil e num quinto set de uma final de mundial.

Mas não é justo tirar os méritos da Rússia e jogar a responsabilidade em cima do coitado do Kim Kun-Tae. Não estou afirmando que Zé pense assim, mas muita gente deve estar creditando ao coreano Kim Kun-Tae, a derrota e a perda do titulo para a Rússia.

É um erro. 

Kim Kun-Tae não pode ser considerado o vilão da história. 

   

 

  

Por Bruno Voloch às 18h04

Sheilla foi a melhor jogadora do Brasil no mundial

O Brasil perdeu o título e não ganhou nenhum prêmio individual.

Merecia. Sheilla pelo menos merecia.

Por tudo que fez no campeonato, Sheilla deveria estar entre as melhores da competição. Ficou de fora.

Mas Sheilla provou novamente, assim como na Olimpíada, que é fundamental e a mais completa jogadora do Brasil em atividade. 

O choro após a derrota foi comovente e mexeu com todos que conhecem o caráter e o lado humano dessa atleta.

Que pena.

Sheilla não merecia. Nem ela, nem a seleção.

Mas Sheilla, para quem não sabe, superou seus próprios limites. Jogou com dores nas costas quase todas as partidas, fez questão de não ter treinamento diferenciado e muito menos ser poupada. Só ficou de fora mesmo por exigência da comissão técnica.

Por várias vezes Sheilla fez o papel de capitã da seleção comandando o time em quadra, orientando as mais novas como Natália e jamais perdeu a motivação. Sheilla não jogou as 11 partidas e fez 180 pontos no mundial. 150 de ataque, 23 de bloqueio e 7 de saque.   

A dedicação e a luta das jogadoras foram louváveis. Sheilla foi o retrato exato dessa dedicação interminável.  

   

Por Bruno Voloch às 17h19

Rússia não é só Gamova. Mas ela fez a diferença

Li atentamente as declarações das jogadoras brasileiras e da comissão técnica após a derrota para a Rússia.

Eles não estão totalmente errados, mas desmerecer o restante do time russo é um absurdo.

Gamova não ganhou o jogo sozinha. Gamova decidiu de fato o quinto set e rodou as bolas mais importantes nos momentos decisivos. Gamova atacou de todas as posições e em diversas oportunidades ignorou o bloqueio brasileiro.

Fazer 35 pontos numa final é realmente algo espetacular e Gamova teve aproveitamento acima de 80% no ataque. Fenomenal.

Mas as demais jogadoras também merecem destaque. Sokolova fez um partidaço e não só ajudou com 14 pontos, como foi eficiente no passe. Sokolova virou bolas fundamentais também no quinto set quando Gamova estava marcada.

A central Perepelkina foi regular e apareceu na hora que mais sua equipe precisou. A partir do quarto set achou definitivamente o tempo do ataque brasileiro e contribuiu com 5 pontos de bloqueio. Perepelkina fez mais pontos de bloqueio do que Fabiana, Thaísa, Sheilla e Jaqueline juntas. Isso explica sua importância no time russo.

Gamova não ganhou o jogo sozinha. Gamova cresceu a partir do quarto set quando jogamos muito mal. Talvez a seleção tenha jogado seu pior set no mundial e logo o que antecedia o tie-break.

A Rússia errou menos e fez mais pontos de bloqueio e de saque. Não podemos esquecer da boa levantadora Startseva. As melhores passagens da Rússia no jogo foram quando a levantadora foi para o saque. Startseva quase não errou saque, usou bem o meio, virou 3 bolas de segunda sem nenhuma reação de Thaísa e procurou Gamova na hora certa. 

Kosheleva talvez não tenha jogado o que até então estava mostrando no mundial. Teve muitas dificuldades em rodar, mas ganhou moral também a partir do passeio no quarto set.

Moral da história.

Gamova fez sim a diferença, mas a Rússia não foi só Gamova. Lógico que sem os seus 35 pontos o resultado seria outro e talvez agora a gente estivesse sorrindo e elas chorando. Mas Gamova fez o que dela se esperava.

Gamova chamou a responsablidade, 'bateu no peito' e decidiu acabar com o jogo no tie-break. Mas que ninguém se deixa enganar, a Rússia não é só Gamova.       

Por Bruno Voloch às 16h35

Sobre o autor

Carioca, tem mais de 20 anos de profissão. Iniciou a carreira na extinta TV Manchete em 1988. Foram 6 anos até ser contrato pela Band Rio em 1994. No ano seguinte estava no Sportv/Globo onde foi idealizador e apresentador do programa Supervolley. Atuou como repórter de 1995 até 2003, e participou da cobertura dos campeonatos brasileiros de 1995 a 2003 em jogos ao vivo. Em 2004 se transferiu para o Bandsports, onde criou e comandou os programas "Roda de vôlei "e Linha de 3". Foi apresentador e comentarista de vôlei e basquete do canal. Em 2008 acumulou a função de diretor de jornalismo até setembro de 2009. De 2007 até 2009 foi colunista da rádio Bandnews FM do Rio e trabalhou nos jornais Lance e Jornal dos Sports. Participou da cobertura de 3 Copas do Mundo, 3 Olimpíadas e das últimas 3 últimas edições do Pan. Hoje é colunista do Jornal do Brasil e comenta futebol para a Bandnews FM/Rio de Janeiro e rádio Terê FM/Rio de Janeiro. É especialista em vôlei.

Sobre o blog

Opinião e informação sobre o que de mais relevante ocorre no vôlei no Brasil e no mundo.

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